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Presidente de associação de delegados diz que Moro não defende a Polícia Federal

"Na medida em que há uma intervenção, a sociedade começa a acreditar que não há uma polícia de Estado, mas sim, uma polícia de governo. Essa é a nossa maior preocupação”, diz presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva
Publicado por Glauco Faria, para a RBA
13:33
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Marcelo Camargo/Agência Brasil

" O que uma crise dessa pode causar, com uma intervenção na Polícia Federal, é um problema de confiança da sociedade na própria PF", diz delegado

São Paulo – O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, disse, em entrevista ao site Congresso em Foco, que a entidade está “decepcionada” com a atuação do ex-juiz Sergio Moro à frente do ministério da Justiça. O pano de fundo da declaração é a crise existente hoje entre integrantes da Polícia Federal e o Palácio do Planalto, reforçada após Bolsonaro ter anunciado que havia combinado com Moro a demissão de Maurício Valeixo, diretor-geral do órgão, que resiste a aceitar a interferência do presidente na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro.

“Se isso acontecer, vai ser o quinto diretor da Polícia Federal em menos de dois anos. O que uma crise dessa pode causar, com uma intervenção na Polícia Federal, é um problema de confiança da sociedade na própria PF. Nós construímos uma imagem de uma Polícia neutra em termos político-partidários, isenta. Na medida em que há uma intervenção, a sociedade começa a acreditar que não há uma polícia de Estado, mas sim, uma polícia de governo. Essa é a nossa maior preocupação”, aponta Paiva.

O presidente da ADPF julga que, hoje, a Polícia Federal está “desprotegida”. “É óbvio que o presidente da República tem a prerrogativa de trocar, mas só que, como estadista, ele tem que se preocupar com a imagem das instituições de Estado. Para substituir, é preciso haver um fundamento, uma razão clara. O que a gente vê é o diretor sendo fritado sem motivo e não há uma defesa clara do ministro da Justiça. A Polícia Federal está desprotegida. Nós cultivamos muito a imagem da nossa instituição. Foi muito tempo para construir uma boa imagem. Correr o risco de destruir essa imagem não era o que nós esperávamos deste governo.’

Estamos preocupados com a falta de defesa do ministro Moro em relação à Polícia Federal. A PF está parada aguardando uma definição quanto à situação do diretor-geral”, pontua.