Vaza Jato

‘STF precisa mostrar o seu tamanho’, diz sociólogo sobre suspeição de Moro no caso Lula

Segundo Paulo Silvino, chegou a hora de a Suprema Corte tocar na "ferida" e demonstrar se as instituições brasileiras estão funcionando

Divulgação/STF
"O que está em risco são as regras do jogo", destaca professor da Fespsp

São Paulo – A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), espera-se,  deve julgar nesta terça-feira (25) pedido de liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No habeas corpus, a defesa aponta a suspeição do então juiz e atual ministro Sergio Moro. O julgamento foi iniciado ainda no ano passado, e paralisado em dezembro, quando o ministro Gilmar Mendes pediu vistas. Edson Fachin e Cármen Lúcia votaram contra o pedido de suspeição. Além de Gilmar, Ricardo Lewandoski e Celso de Mello ainda deverão votar.

Para o professor da Fundação Escola de Sociologia e Política Paulo Silvino, chegou a hora de o STF “mostrar o seu tamanho” e “assumir o seu papel”. Ele destaca que a Suprema corte foi “gigante” em outras decisões, por exemplo, quando decidiu pela criminalização da homofobia, demonstrando que não se deixou afetar pela onda conservadora que assola a sociedade. Silvino destaca que, numa democracia com instituições sólidas, um juiz não pode manter intimas relações com um promotor, como revelam os vazamentos, pelo The Intercept Brasil, das conversas entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

“Cobrar a verdade em relação a esse caso não é defender o PT, ou Lula. É defender a democracia. Se, de fato, queremos um país democrático, não podemos aceitar um juiz que tem relações como essas com um promotor. Muita gente deseja que Lula seja liberto o quanto antes. Mas aqueles que tem posicionamento contra o PT, contra o Lula, precisam entender que o que está em risco são as regras do jogo, portanto, a democracia brasileira”, afirmou Silvino em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (24).

Ele comenta que, em nome do suposto combate à corrupção, Moro, Dallagnol, e os demais procuradores, passaram por cima das instituições democráticas. Inclusive o “mercado”, tão valorizado pelos “liberais”, também foi afetado pela maneira como os processos foram conduzidos. Ele ecoou declarações do empresário Johnny Saad, dono do grupo Bandeirantes, que alegou que a Lava Jato colaborou para a destruição de empresas nacionais. “Em nome de um projeto de poder da direita, prejudicaram a economia brasileira”, disse o professor, que também é doutor em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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