Velha nova era

Para professor, apoio militar a ‘presidente miliciano’ é sintoma de que o país vai mal

Manuel Domingos avalia que as Forças Armadas veem liquidando defesa nacional por silenciar-sem frente à flexibilização do porte de armas e à venda de estatais

Antonio Cruz/EBC
"O Brasil entra em uma fase preocupante porque, objetivamente, o presidente está chamando para a guerra", avalia professor sobre liberação das armas

São Paulo – O apoio das Forças Armadas ao governo de Jair Bolsonaro parece contraditório para o professor de Ciência Política na Universidade Estadual do Ceará, doutor em História pela Universidade de Paris, Manuel Domingos. Em entrevista à Rádio Brasil Atual sobre o quadro político do país,o docente cita haver uma “unanimidade estranha” por parte da instituição em meio a um processo de “liquidação” pelo qual passa o país marcado.

“Os militares me surpreendem cada vez mais, espero por posturas que não ocorrem por exemplo nesse ‘entrega tudo’ do (Paulo) Guedes, eu esperava uma reação, mas não houve, e o patrimônio público está sendo vendido”, afirma Domingos aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria em referência as privatizações que estão sendo colocadas em curso pelo ministro da Economia sem qualquer oposição dos militares que fazem parte do governo.

Em recente entrevista à TVT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também questionou o papel da instituição que, à revelia do nacionalismo, veem contribuindo para acabar com a soberania nacional, chegando a afirmar que “um general que aceita se subordinar a um presidente que bate continência para a bandeira americana não merece ser general”. A declaração foi criticada por membros do governo Bolsonaro, mas endossada pelo docente.

De acordo com Domingos, a falta de reação dos militares à entrega do patrimônio público e também à proposta de flexibilização sobre o porte e posse de armas de fogo colocam em xeque o cumprimento da defesa nacional.  “À medida que ele (Exército) endossa um presidente miliciano, que quer entregar armas para a população, é um sintoma extremamente grave”, observa. “O Brasil entra em uma fase preocupante porque, objetivamente, o presidente está chamando para a guerra”.

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