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Moro não tem condições de continuar no Ministério da Justiça, diz Boulos

Coordenador do MTST também cobrou anulação da condenação de Lula e que os procuradores da Lava Jato devem ser investigados
Publicado por Tiago Pereira, da RBA
13:15
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Reprodução/RBA

Novas revelações devem explicitar relações da Lava Jato com a mídia

São Paulo – O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, afirmou que o ministro da Justiça, Sergio Moro, não tem mais condições políticas e morais para continuar comandando a pasta, após as conversas entre ele e o procurador Deltan Dallagnol terem sido reveladas pelo The Intercept Brasil. “Quando um juiz, que deveria julgar de maneira isenta, se torna um colaborador da acusação, não estamos falando mais de um processo judicial. Estamos falando de linchamento. Foi isso que aconteceu, uma colaboração explícita do juiz Sergio Moro com a força-tarefa da Lava Jato.”

“Seria o mesmo que um juiz de futebol colaborando com um dos times. Temos que ser muito claros. A consequência disso é que o Sergio Moro não tem condição política, nem moral, de continuar à frente do ministério da Justiça. Tem que sair imediatamente”, disse Boulos, em entrevista aos jornalistas Marilú Cabanãs e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (12).

Boulos defende também que a sentença de Moro que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser anulada, e que Dallagnol e os demais procuradores da Lava Jato fiquem “na geladeira”, até que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) conclua as investigações sobre as ações reveladas no vazamento.

“O Código de Processo Penal é muito claro: Se há colaboração entre juiz e acusação, é causa de suspeição. Se há colaboração entre um juiz e a defesa, também. Se um juiz suspeito emite sentença, essa decisão é nula. Ou seja, existem todas as bases jurídicas para a anulação da condenação do Lula. É isso que está em questão como uma das consequências da farsa desvendada”, afirmou.

Expectativa

Boulos disse esperar que os novos materiais que o The Intercept Brasil promete revelar ajudem a entender não apenas as decisões combinadas da Lava Jato, mas também as relações com a imprensa tradicional, em especial a Rede Globo, conforme acusou o jornalista Glenn Greenwald, em entrevista a Agência Pública nesta terça-feira (11).

“Quem sabe nos ajude a esclarecer também como é que se deu – em que termos e em que momento – o convite para Sergio Moro ocupar o ministério da Justiça do governo Bolsonaro. Mais que isso, a tal da promessa do Supremo Tribunal Federal (STF). Muita coisa pode ser desvendada, inclusive para além da própria Lava Jato. Isso afeta diretamente o coração do governo Bolsonaro. É inegável que Moro é um dos fiadores desse desgoverno que, há seis meses, faz o Brasil andar para trás.”

Ameaças

O coordenador do MTST, que também foi candidato à Presidência pelo Psol nas últimas eleições, disse que o partido vê com preocupação as ameaças contra Glenn e seu companheiro, o deputado federal David Miranda (Psol-RJ). Ele lembrou que o tanto o presidente, Jair Bolsonaro, como um dos seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro, tem relações com grupos milicianos no Rio de Janeiro. “Está cada vez mais visível que eles estão mexendo com interesses perigosos, que hoje atuam de mãos dadas com o poder no Brasil. Evidentemente é preciso tomar cuidado.”