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Glenn rebate fake news da direita para desqualificar revelações sobre Moro na ‘Vaza Jato’

Apresentadores do programa Pânico tentaram relativizar postura do ministro, mas nem mesmo a jornalista da emissora Vera Magalhães defendeu Moro. "Um juiz não pode falar naqueles termos"
Publicado por Clara Assunção
17:05
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Reprodução

"Ninguém negou (o conteúdo), nem Moro, nem Deltan disseram que eles foram alterados", ressaltou Glenn em entrevista nesta quinta (13)

São Paulo – Desde que foram reveladas pelo The Intercept Brasil, as conversas entre o ministro da Justiça Sergio Moro, então juiz da Operação Lava Jato, com o procurador da força-tarefa Deltan Dallagnol têm levantando dúvidas por parte de setores da sociedade que, até então, apostavam na figura de Moro como um herói contra a corrupção.

Em entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan, nesta quinta-feira (13), o jornalista e editor responsável pela publicação, Glenn Greenwald, rebateu algumas das críticas mais recorrentes sobre o The Intercept Brasil, entre elas, a de que a falta de imparcialidade é, na verdade, do veículo de comunicação, como em diversos momentos da entrevista a equipe da emissora buscava comprovar. “Eu apoio a Lava Jato, mas eu acho uma tragédia o Moro concluir que o trabalho dele era tão importante que ele não precisava seguir regras”, afirmou Glenn.

A entrevista, que contou com a participação da jornalista Vera Magalhães, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e da rádio Jovem Pan, levantou dúvidas a respeito da veracidade dos diálogos entre o ministro e Dallagnol que, na opinião de diversos juristas, extrapola o limite que separa o trabalho do juiz da acusação, mas, entre os defensores de Moro, parecem estar descontextualizadas.

“Publicamos as partes relevantes. Se publicarmos as conversas na íntegra, seríamos acusados de invadir a privacidade do Deltan Dallagnol”, explica o jornalista, acrescentando a reportagem divulgada nesta quarta (12), sobre a forma como Moro e o procurador viam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, como um panorama das conversas reveladas no domingo (9). “Temos um material mais explosivo, que terá mais impacto do que nós já publicamos. Estamos trabalhando para divulgar isso o mais rápido possível, e com outros veículos (jornalísticos)”, antecipou Glenn.

A criação do hacker

Toda a conversa entre Dallagnol e Moro estava hospedada no serviço de mensagens Telegram. Após o vazamento do conteúdo dessas trocas, os envolvidos procuraram afirmar que haviam sido hackeados, narrativa inclusive seguida por alguns veículos da mídia tradicional, que têm mais questionado sobre a legalidade das provas, do que sobre a atuação judicial.

Perguntado sobre o assunto, Glenn rebateu: “Eu não sei qual a fonte que a fonte usou para ter os documentos, mas a questão para mim é o interesse público”, disse. “E ninguém negou (o conteúdo), nem Moro, nem Deltan disseram que eles foram alterados”, ressaltou com apoio da jornalista Vera Magalhães.

Ainda na esteira da repercussão do caso, o próprio Telegram já confirmou nesta semana que não há indícios de invasão por hackers, chegando inclusive a debochar do argumento usado para criar uma espécie de “inimigo” e defender Moro. “Se um ‘hacker aqui’ lhe disser que pode quebrar a Verificação em Duas Etapas do Telegram, peça que ele prove. (O mesmo se aplica a qualquer um que diz ser o Pelé: peça prova na hora)”, ironizou o aplicativo.

Outro ponto rebatido pelo jornalista tratou das críticas mais recentes que questionaram a legalidade da conversa com base nos horários da mensagens enviadas por Deltan a Moro, dizendo que não era possível o mesmo conteúdo estar no grupo dos procuradores e na conversa particular com o ministro. “Isso é muito simples”, respondeu Glenn, “Deltan escreve primeiro no grupo, depois só encaminha (cola a mensagem) para Moro”, sintetiza.

Os apresentadores do programa procuraram refutar sobre a ilegalidade na atuação do ex-juiz, mas a própria jornalista Vera Magalhães concordou que as conversas entre o Moro e o procurador da Lava Jato “exploraram limites que não podiam ser explorados”. “Um juiz não pode falar naqueles termos com um procurador”, afirmou.

“Se isso não fosse errado, porque eles ficaram quatro anos negando que estavam fazendo isso? Obviamente porque é errado, exatamente por isso eles negaram”, acrescentou Glenn. Ao que parece ter decepcionado, inclusive, a equipe da Jovem Pan. “Mas ele (Moro) era nosso herói”.