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Sem resposta a críticos no G20, Bolsonaro e Heleno abusam da diplomacia

No rastro de prisão de militar com coca e de uma triste gestão ambiental, presidente diz não aceitar ser advertido e Heleno manda Merkel procura sua turma
Publicado por Tiago Pereira, da RBA
14:02
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Alan Santos/PR

Bolsonaro disse estar no Japão para "falar e ouvir", mas sem precisar temas ou estratégias. General Heleno acompanha

São Paulo – Jair Bolsonaro chegou nesta quinta-feira (27) a Osaka, no Japão, para participar da cúpula do G20. O clima entres líderes europeus é de perplexidade em relação à condução de questões climáticas e ambientais no país. Nesta sexta-feira, ele terá reuniões bilaterais com os presidentes norte-americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping. Sua imagem também sofreu abalo internacional após a prisão, na Espanha, de um militar flagrado com 39 quilos de cocaína no avião da comitiva presidencial. O jornal francês Le Monde usou o termo “aerococa”, que também viralizou nas redes sociais, para se referir ao episódio.

Já em terras japonesas, enquanto Bolsonaro passeava pelo comércio local e almoçava numa churrascaria típica brasileira, o presidente francês, Emannuel Macron, afirmou que eventual acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul não deve sair caso o brasileiro cumpra a promessa de retirar o país do Acordo de Paris, que prevê o estabelecimento de metas para redução do aquecimento global.

“Estamos pedindo aos nossos agricultores que parem de usar pesticidas, estamos pedindo a nossas empresas que produzam menos carbono, o que tem um custo de competitividade”, disse Macron. As ações do governo Bolsonaro seguem na contramão, colocando o entendimento com os europeus em risco. Nesta semana, o Ministério da Agricultura liberou 42 “novos agrotóxicos“. Bolsonaro e Macron também terão agenda bilateral nesta sexta.

Já a chanceler alemã, Angela Merkel, ainda antes de embarcar para o G20, disse nesta quarta-feira (26), no parlamento da Alemanha, que vai aproveitar a oportunidade para ter uma “conversa clara” com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), sobre o avanço do desmatamento na Amazônia. “Percebo como dramático o que está acontecendo no Brasil.”

Às declarações de Merkel, Bolsonaro reagiu dizendo que os alemães tem muito o que aprender com o Brasil, e disse não aceitar ser “advertido” por outros países. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, afirmou que os europeus não têm “moral” para falar de preservação ambiental. Ele também reclamou do tratamento que a imprensa internacional dispensa ao seu chefe-capitão. “Chamar o nosso presidente de fascista é simplesmente ridículo”. Sobre o Acordo de Paris, disse que o Brasil “pode ou não” sair. E emendou: “Estes países que criticam? Vão procurar a sua turma”.

Sem pauta específica para levar à reunião, Bolsonaro afirmou que está no Japão para “falar e ouvir”, mas não soube precisar temas ou estratégias. “Tudo que estiver na pauta nós falaremos, bem como vão nos questionar alguma coisa, tenho certeza, e estamos prontos para responder.” Ele deve repetir o tom de discurso liberal realizado em Davos, na Suíça, em defesa de maior abertura comercial e do Estado mínimo.

Em artigo, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão pede a renúncia ou demissão do general Augusto Heleno, por incapacidade de responder pelo cargo que ocupa. Aragão lembra que o militar comandou a missão brasileira no Haiti. “Nessa condição, conduziu suas tropas ao ataque à Cité du Soleil, bairro de extrema pobreza em Porto Príncipe, promovendo verdadeiro massacre contra a população civil. Nunca foi oficialmente cobrado por isso. Não. Voltou ao Brasil e tornou-se Comandante da Amazônia, quando fez uma série de declarações politicamente motivadas, voltando-se contra a proteção das populações indígenas, lembra o ex-ministro.

Sem sair da seara ambiental, a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) também reagiu. Listou que o governo Bolsonaro já liberou mais de 200 agrotóxicos e aumentou desmatamento da Amazônia. “(Seu ministro de Relações Exteriores) disse que aquecimento global é marxista; persegue agentes do Ibama e ICMbio; quer destruir leis ambientais e tem a cara de pau de dizer q a Merkel tem q aprender c/ ele sobre meio ambiente?”, postou a deputada em seu perfil no Twitter.