Recuo

Em dia de greve geral, Guedes critica mudanças no texto da Previdência

Ministro da Economia, que já ameaçou deixar o país se seu projeto fosse modificado, pensa que “houve um recuo que pode abortar a nova Previdência”

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABR
Para o ministro, com as mudanças no projeto original, será necessária nova reforma em 5 anos

São Paulo – Neste dia de greve geral contra a “reforma” da Previdência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez críticas às mudanças do relator da proposta na Câmara dos Deputados, Samuel Moreira (PSDB-SP). Guedes, que já chegou a dizer que faria as malas e se mudaria de país caso seu projeto fosse modificado, afirmou hoje (14) que “pressões corporativas” e o “lobby de servidores do Legislativo” pesaram nas alterações.

De acordo com o portal G1, o ministro pensa que “houve um recuo que pode abortar a nova Previdência”. “O recuo é que pelo menos pressões corporativas e de servidores do Legislativo forçaram o relator a abrir de R$ 30 bi para os servidores do Legislativo que já são favorecidos no sistema normal, então recuaram na regra de transição. E como isso ia ficar feio, recuar só nos servidores, estenderam também para o regime geral.”

Ontem (13), Moreira apresentou seu parecer à comissão especial. A economia prevista é menor que a do governo. E retira alguns dos principais pontos projeto original, entregue pelo governo. Entre elas, mudanças na aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC). Ficaram de fora também o regime de capitalização proposto pelo governo, estados e os municípios.

Ainda segundo o G1, Guedes disse que esperava que cortassem “o BPC e o Rural, daí ficava R$ 1 trilhão [de economia no orçamento em dez anos]. Porque com R$ 1 trilhão, eu alertei várias vezes, nós conseguimos lançar a nova Previdência, que é o compromisso com as futuras gerações. Mas aí, na verdade, cortaram R$ 350 bilhões [da proposta original]”.

Respeitar decisão

Ainda segundo o site, o ministro não comentou todas as alterações feitas na proposta, mas destacou que “preferimos que estados e municípios fossem incluídos, isso é importante porque eles estão fragilizados financeiramente”. E destacou ainda que considera a atitude dos parlamentares contrária à estruturação de uma reforma.

“Eu não vou criticar, eu estou esclarecendo e vou respeitar a decisão do Congresso. Agora, é importante que os deputados, que o relator, se aprovar a reforma do relator, que são R$ 860 bilhões de cortes, [digam que] abortaram a nova Previdência. Mostraram que não há compromisso com as futuras gerações. O compromisso com os servidores públicos do Legislativo parece maior do que das futuras gerações”. E que, por causa das mudanças, “daqui a cinco ou seisanos tem outra reforma”.

“O que o relator está dizendo é ‘abortamos a nova Previdência e gostamos mesmo é da velha Previdência. Cedemos ao lobby dos servidores públicos que eram, justamente, os privilegiados”, disparou Guedes.

De acordo com o G1, Guedes conversou com jornalistas ao sair da sede do Consulado-geral da Itália, no centro do Rio de Janeiro, onde se encontrou com empresários. Somente jornalistas italianos foram autorizados a acompanhar o evento.

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