Home Política Deputado português crava: ‘Moro, criminoso’
Golpe

Deputado português crava: ‘Moro, criminoso’

Presidente do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, diz que "diálogos divulgados mostram a enorme promiscuidade entre juiz e procuradores"
Publicado por Glauco Faria, para a RBA
21:01
Compartilhar:   
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Sobre ligações de família Bolsonaro com milicianos, Moro disse que afirmações são 'ofensivas ao governo”

São Paulo – O deputado português Pedro Filipe Soares, presidente do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, publicou um artigo no site Público, reproduzido em Esquerda.net, cujo título é Moro, criminoso. No texto, ele fala a respeito das mensagens trocadas entre Sergio Moro e procuradores do Ministério Público brasileiro.

“Diz a lei que a Justiça se aplica com imparcialidade, que o juiz não é o acusador nem faz parte da defesa, que as acusações não são políticas e que os procuradores não têm agendas partidárias. A lei diz isso em Portugal, como o faz no Brasil. Mas, entre a lei e a realidade, há um Moro de distância que destruiu os pilares do Estado de Direito e da presunção da inocência”, afirma o parlamentar.

Quando fala sobre o processo que culminou na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Soares é assertivo. “Neste jogo encenado o resultado já estava combinado. Não houve um processo para chegar a uma acusação e a um veredito, existiu um veredito primordial e uma acusação montada num processo que lhe servia à medida. Lula da Silva estava condenado à partida”, pontua.

“A trama dá conta de um pensamento que faria inveja a Maquiavel. A cartilha populista está bem urdida, demonstrando o que significa levar à prática a ideia da “justiça em praça pública”. A personagem do justiceiro é sempre uma das mais acarinhadas, Moro sabia disso e desejava-o. Da mesma forma, Deltan Dallagnol (o procurador que chefiava a equipa da Lava-Jato) sabia que a suspeição de corrupção é o suficiente para criar um clima de dúvida, pensa-se que ‘onde há fumo há fogo’. Quando se alinhou com estes ingredientes a agenda dos grandes grupos económicos da comunicação social, ficou visível a imensa capacidade de manipulação de milhões de pessoas. ‘A opinião pública é decisiva e é um caso construído com prova indireta e palavra de colaboradores contra um ícone’, dizia um dos procuradores explicando como a condenação pública era parte fundamental da estratégia.”

Por fim, o parlamentar diz confiar na reação da sociedade brasileira. “Numa primeira análise, o golpe parece ter resultado, Moro é ministro e Bolsonaro o Presidente que segue indiferente, condecorando Moro num ambiente de desrespeito pelos direitos humanos. A Constituição não se cumpre no Planalto. Mas, se bem conhecemos o povo brasileiro, a mentira e a manipulação não serão o fim desta história.”