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Tiros em Angra dos Reis

Sobrevoo de Wilson Witzel: ‘O papel do governador não é brincar de tiro ao alvo’

Na avaliação da cientista política Jacqueline Muniz, atitude polêmica do governador do Rio de Janeiro beira o limite da ilegalidade. 'O papel dele é formular e determinar a política de segurança'
Publicado por Redação RBA
17:33
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Reprodução
Wilson Witzel em operação que dispara tiros de helicóptero

Jacqueline Muniz avalia que atuação de Witzel não contribui para a polícia, nem para a sociedade e mesmo para o próprio governador

São Paulo – Os vídeos que mostram o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), a bordo de um helicóptero que dispara tiros em Angra dos Reis, cidade localizada no litoral sul do estado, no último sábado (4), tem provocado muitas críticas. Na análise da cientista política Jacqueline Muniz, o ato do governador pode ser, inclusive, caracterizado como abuso de poder e abuso de autoridade, pois o chefe do Executivo não dispõe de “poder de polícia”.

“O fato de ele ser governador, não o torna um agente policial. Como juiz, ele devia ter isso muito claro, de tal maneira que suas ações se tornam ambíguas e, no limite, ilegais”, afirma Jacqueline, em entrevista ao jornalista Walter Venturini, da Rádio Brasil Atual. “O papel do governador não é brincar de tiro ao alvo. O papel do governador é formular e determinar a política de segurança, balizar e determinar a estratégia, e não brincar de ser um operacional. Não se tem como produzir resultados substantivos com esse tipo de espetáculo repressivo.”

A cientista política define como “lamentável” a atuação de Wilson Witzel e avalia que o ato não contribui nem para a polícia, nem para a sociedade e tampouco para o próprio governador. “A impressão que dá é que ele é ingênuo ou inocente, que está sendo ‘algemado’ pelos seus assessores que estão, na verdade, consumindo rapidamente seu capital político e credibilidade.”

Ela também destaca que as aeronaves não são plataforma de tiro e que tal uso revela falta de organização e incapacidade. Segundo Jacqueline, o helicóptero da polícia deve ser usado como base de observação, como recurso de embarque e desembarque, e de resgate. O protocolo da polícia civil do Rio de Janeiro permite o disparo de tiros de helicópteros em situações específicas de defesa, o que não foi o caso da ação da qual participou o governador.

“Mesmo quando se usa uma espécie de correção da mira diante do alvo, não se tem como corrigir a trepidação e o movimento da aeronave, o que faz com que toda a tomada de decisão na aeronave, em termos de tiro, seja equivocada”, pondera Jacqueline Muniz.

Ouça a entrevista na íntegra