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Família Bolsonaro: tio de Michelle é preso em ação contra milícia. Flávio tenta barrar MP pela terceira vez

Ex-sargento da PM é acusado de crimes ligados à grilagem de terras em Ceilândia (DF), enquanto senador busca evitar quebra de sigilo em ação que investiga esquema comandado por Fabrício Queiroz de desvio de salários de assessores
Publicado por Tiago Pereira, da RBA
10:14
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Reprodução/PSL

Familiares do presidente, Jair Bolsonaro (PSL), estão na mira da Justiça e da Polícia, no RJ e no DF

São Paulo – A família presidencial continua envolvida em escândalos de corrupção e ligações suspeitas com grupos milicianos. Tio da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o ex-policial João Batista Firmo Ferreira foi preso nesta quarta-feira (29) pela Operação Horus, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Distrito Federal. Junto com outros seis homens, entre policiais da ativa e ex-policiais, eles são acusados de fazerem parte de uma milícia que atua na região do condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, cidade satélite de Brasíla. As denúncias são de crimes de loteamento irregular do solo, extorsão e até homicídio, relacionados à grilagem de terras, segundo informações do jornal Correio Braziliense.

Firmo Ferreira, primeiro-sargento reformado, é irmão de Maria Aparecida Firmo Ferreira, mãe de Michelle. As investigações, iniciadas em 2011, levou ao grupo criminoso, que atuava no parcelamento irregular de solo urbano do Sol Nascente desde o início da ocupação do condomínio.  Por conta deste parcelamento, dezenas de loteamentos irregulares foram surgindo. Há, inclusive, brigas por terras na região, que teriam causado até homicídios em anos passados.  Servidores e ex-servidores também são investigados.

Segundo o Correio, as investigações “avançaram graças à participação de um colaborador, que integrou e liderou a quadrilha, mas resolveu ajudar na apuração para receber o benefício da redução da pena. Ele procurou a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da PCDF e detalhou o funcionamento da organização criminosa.  Com autorização judicial, as ligações telefônicas dos suspeitos foram interceptadas e as conversas revelaram a forma de atuação dos policiais militares responsáveis pela grilagem na região do Sol Nascente. A denúncia destaca que os dados obtidos com a quebra do sigilo bancário de João Firmo, autorizada pela Justiça, reforçam a ligação do PM com a organização criminosa. O órgão identificou duas transferências dele para Francisco Cardoso, outro integrante da suposta quadrilha de milicianos, em 27 de julho de 2015, que totalizaram R$ 8 mil.”

O Palácio do Planalto afirmou que não se manifestará sobre a prisão do tio da primeira-dama.

Senador Flávio

Já o filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (PSL), tentou pela terceira vez bloquear investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) em ação sobre desvios de salários de assessores quando ele era deputado estadual. É o segundo habeas corpus tentado pela defesa do senador para tentar suspender a quebra de sigilo dele e de outros 88 envolvidos.

No recurso anterior, os advogados de Flávio Bolsonaro pediam liminarmente o trancamento do inquérito. A Justiça negou liminar, mas não julgou o mérito do processo. Por se tratarem da mesma investigação, o desembargador Antonio Carlos Nascimento Amado, relator do caso no TJ-RJ, decidiu anexar os processos, ainda sem previsão de julgamento. A defesa havia ainda tentado suspender as investigações no Supremo Tribunal Federal, alegando que o senador gozaria de foro privilegiado, não podendo por isso ser julgado na Justiça estadual do Rio. O pedido foi negado pelo Supremo.

Entre os outros ex-funcionários de Flávio que tiveram seus sigilos quebrados também estão Danielle Nóbrega e Raimunda Magalhães, irmã e mãe do ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, acusado pelo MP-RJ de ser um dos comandantes do Escritório do Crime, organização de milicianos suspeita de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.

Queiroz

O mesmo desembargador negou nesta quarta-feira pedido similar da defesa do ex-assessor Fabrício Queiroz, suspeito de comandar o esquema de desvios no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio. O advogado de Queiroz alega que o Ministério Público teria tido acesso vazado ilegalmente dados da movimentação sua movimentação bancária, mesmo motivo alegado pela defesa do senador.

As investigações contra Flávio e Queiroz tiveram início após relatório do do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar que Queiroz realizou movimentações financeiras atípicas que totalizam R$ 7 milhões, entre 2014 e 2017. De acordo com o MP-RJ, Flávio mantinha uma “organização criminosa” dentro de seu gabinete, que possuía “clara divisão de tarefas” para desviar recursos públicos.

Em depoimento por escrito ao MP, Queiroz admitiu que recolhia parte dos salários dos colegas assessores. Segundo ele, os recursos eram utilizados para contratar outros assessores informais, ampliando a base de apoio de Flávio. Ele alega que operava sem o consentimento do então deputado. Queiroz faltou a diversas convocações do MP para prestar depoimento presencial, alegando problemas de saúde. Internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para cirurgia relativa a um câncer no intestino, entre 30 de dezembro e 8 de janeiro, quando o relatório do Coaf já tinha vindo a público, Queiroz pagou R$ 133 mil em espécie pelo tratamento.