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Mais um abuso

PF confronta Justiça sobre entrevista de Lula e STF responde: delegado extrapolou

Superintendência da Polícia Federal quer abrir entrevista solicitada por 'Folha' e 'El País'. Lewandowsky veta plateia e determina que entrevista seja aos profissionais consentidos por Lula
Publicado por Redação RBA
16:19
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Nelson Jr./SCO/STF e Reuters
Lewandowski e Sergio Moro

O ministro Lewandowski, do STF, diz em seu despacho que PF, subordinada a Sergio Moro, passou dos limites

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi autorizado por decisão do  Supremo Tribunal Federal a conceder entrevista aos jornais Folha de S.Paulo e El País nesta sexta-feira (26). Mas o superintendente da Polícia Federal (PF) em Curitiba, Luciano Flores Lima, determinou que a entrevista seja acompanhada por uma plateia de jornalistas, convidados pela própria PF. A informação é da assessoria de Lula.

Segundo a assessoria, a ação da PF desrespeita decisão do Supremo, que garantiu a Lula o direito de falar com os jornais com os quais já havia concordado em conceder a entrevista. “A decisão também desrespeita o trabalho dos jornalistas e dos veículos de comunicação que há oito meses obtiveram autorização para entrevista na época das eleições, que ficaram suspensas por oito meses devido a uma decisão liminar cassada na semana passada.”

A assessoria também destaca, em nota, que as conversas com jornalistas devem ocorrer com a concordância do ex-presidente, e reafirma que Lula encontra-se à disposição para falar com a Folha e o El País.

O ministro do STF Ricardo Lewandowski acolheu recurso acionado pelo El País e determinou à PF que assegure a exclusividade da entrevista. Ou seja, apenas os jornalistas Florestan Fernandes Jr., pelo El País, e Mônica Bergamo, pela Folha, têm a prerrogativa de entrevistar Lula.

“A liberdade de imprensa, apesar de ampla, deve ser conjugada com o direito fundamental de expressão, que tem caráter personalíssimo, cujo exercício se dá apenas nas condições e na extensão desejadas por seu detentor, no caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao qual não se pode impor a presença de terceiros (…) em franca extrapolação de limites da autorização judicial em questão”, argumenta o magistrado. “Comunique-se com urgência, ao Senhor Superintendente da Polícia Federal do Paraná para estrito cumprimento da presente decisão.”

Em nota, a Polícia Federal informa que a determinação do magistrado será obedecida. 

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