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Bolsonaro diz que existe ‘indústria de demarcação’ de terras indígenas

Em entrevista, presidente afirma que pretende mudar política na Amazônia, que Palestina 'não é país' e que ato que o fez desistir de visitar Mackenzie, há duas semanas, foi 'manifestação burra'
Publicado por Redação RBA
19:49
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Divulgação
Bolsonaro e Augusto Nunes

“O índio é um ser humano como eu e você”, disse presidente ao jornalista Augusto Nunes

São Paulo – Em entrevista ao jornalista Augusto Nunes, na rádio Jovem Pan, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que as demarcações de terras indígenas não podem atrapalhar o desenvolvimento do país. “A demarcação não pode ser com laudos suspeitos”, disse. “Demarcar tem que ter critério.” Segundo ele, existe uma “indústria de demarcação” de terra no Brasil, o que “inviabiliza” projetos desenvolvimento.

Ele afirmou que quer uma exploração da Amazônia “em parceria” com os Estados Unidos e que os índios querem royalties para permitir a construção de uma linha de transmissão de energia. “Eu topo pagar, mas isso atrapalha. Setenta por cento dos índios têm nossa cultura, mas querem ganhar dinheiro em cima do índio.” Ele não informou quem estaria querendo ganhar dinheiro.

Ainda sobre demarcação de terras, prometeu que vai mudar a política. “O que puder rever, eu vou rever.” De acordo com ele, índios devem ter o direito de “vender ou explorar (a terra) da maneira como quiserem. O índio é um ser humano como eu e você.”

Questionado sobre algum arrependimento que possa ter desde que tomou posse, garantiu que não se arrepende de nada e que problemas provocados por posts em redes sociais são coisas que ”acontecem”. Comentou, como exemplo, a defesa do regime militar. “Podemos fazer as mesmas coisas, as coisas boas do período militar, e não repetir as coisas ruins”, pontuou.

A respeito de educação, disse que o agora ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez foi demitido porque “não tinha expertise” e na “questão da gestão deixou a desejar”. Continuou denunciando que “existe aparelhamento na educação” e que o  novo ministro (Abraham Weintraub, executivo do mercado financeiro) é quem vai decidir o que vai fazer”.

Numa fala entrecortada, comentou de passagem a manifestação dos estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, há duas semanas. Disse que desistiu do compromisso na instituição “porque tinha uma manifestação burra”. Afirmou que os “cem estudantes” que promoveram o ato eram “uma molecada que está sem noção para que tenham um futuro melhor”.

Sobre suas políticas, afirmou que sua intenção é fazer “o melhor” para o país e mencionou o ex-candidato do PT à presidência da República. “Se o Haddad tivesse sido eleito, quem ele teria visitado? Estados Unidos, Chile e Israel?” Ele mesmo respondeu afirmando que Haddad teria ido à Bolívia, à Venezuela e a Cuba.

Ainda sobre política externa, garantiu que não mudou de ideia sobre transferir a Embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém. “Não mudei ainda não. É quem nem casamento. Tem que namorar, ficar noivo, comprar uma casa. Eles (Israel) estão bem com os árabes”, disse. “Nós também estamos.”

Segundo o presidente, só três países da região têm problemas com os Estados Unidos. “Irã, Palestina, que não é país, e a Turquia, que está começando a namorar os Estados Unidos.” Entretanto, ele não explicou que a Turquia e o Irã não são países árabes, mas afirmou que pretende visitar os árabes. E comentou: “Eles (os palestinos) têm uma embaixada aqui sem ser país. Estão querendo demais.”

A pergunta do entrevistador sobre a questão da Venezuela, declarou: “Quem está na vanguarda é os Estados Unidos (sic)”. Em seguida, citou o presidente norte-americano, Donald Trump. “Ele disse que todas as possibilidades estão na mesa. Então, todas as possibilidades estão na mesa, e ponto final.” O mandatário opinou dizendo que a Venezuela “não pode continuar como está, o povo sofrendo, e tem que botar um ponto final naquilo”.