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Perdas múltiplas

‘Nenhuma dor pode ser medida por outra pessoa’

'É um momento na vida em que precisamos de empatia, independentemente das diferenças e posições políticas', diz a psicóloga Beatriz Damato, que trabalha com o luto, sobre morte de neto de Lula
Publicado por Redação RBA
08:45
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Pixabay
processo de luto

“Ver alguém desvalidando essa dor em redes sociais faz com que as outras pessoas se sintam também nesse direito”

São Paulo – “Nenhuma dor pode ser medida por outra pessoa. Independentemente de posicionamento político, existem pessoas que estão em intenso sofrimento. A morte de uma criança rompe com o ciclo natural da vida, não esperamos enterrar um filho, um neto.” A análise é da psicóloga e integrante do Quatro Estações Instituto de Psicologia Beatriz Damato, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

A psicóloga também comentou a respeito das mensagens de ódio que têm circulado em redes sociais. “A empatia é algo necessário para se conviver em sociedade. Fico chateada quando vejo noticias desse tipo, ainda mais sabendo como se dá o processo de luto”, afirmou, comentando ainda a postura do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que criticou a saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o velório do neto. “É difícil ver isso vindo de representantes. Se estamos em um momento de validar a dor do outro, ver alguém desvalidando essa dor em redes sociais faz com que as outras pessoas se sintam também nesse direito.”

Ela comentou ainda sobre o fato de o ex-presidente conviver com diversas perdas em sequência: além da prisão, a morte do irmão, há 31 dias, e agora seu neto. “Chamamos de perdas múltiplas, quando alguém vive vários tipos de perda em curto espaço de tempo. é um fator de risco porque um processo está sendo elaborado e já se inicia outro processo.”

O isolamento também não auxilia na elaboração do luto. “Fator de proteção é poder contar com a rede de suporte, de apoio, e isso não é possível quando se está sozinho.”