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Estudantes protestam e Bolsonaro desiste de visita a faculdade em São Paulo

Alunos do Mackenzie, após saberem de visita do presidente, se mobilizaram contra declarações de apoio à ditadura. Grupo de fora da universidade enfrenta estudantes e manifesta apoio ao presidente
Publicado por Redação RBA
18:10
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reprodução/bdf
bolsonaro mackenzie

Enquanto estudantes entoavam gritos como ‘ditadura nunca mais’, outro grupo pedia por intervenção militar

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) desistiu de sua agenda em São Paulo na tarde de hoje (27). Ele visitaria a Universidade Presbiteriana Mackenzie, mas desistiu após uma mobilização de estudantes contrários à sua presença. Os manifestantes repudiam a recomendação do político para que as Forças Armadas comemorem o golpe civil-militar de 1964.

De acordo com informações de alunos, a universidade não soube dizer a razão da ausência de Bolsonaro. Ao mesmo tempo em que estudantes organizavam um ato na rua Maria Antônia contra o político, apoiadores – que não estudam no local – se concentraram na rua da Consolação, em outra entrada da instituição. Em alguns momentos, houve choque entre os dois grupos.

Enquanto os universitários entoavam gritos como “ditadura nunca mais”, outro grupo, composto majoritariamente por pessoas brancas e mais velhas, pedia por intervenção militar e gritava palavras confusas de ódio contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba. 

“Os estudantes estão na rua, saíram das salas, para chamar a atenção sobre os perigos que correm nossa democracia, nossa liberdade. Hoje, os estudantes do Mackenzie fizeram o presidente da República fugir do debate. O recado é que Bolsonaro não vai ter sossego em qualquer universidade. Os estudantes gritarão que: ‘Na universidade não!'”, gritaram os estudantes em jogral puxado pela presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias.

O local escolhido pelos universitários é simbólico diante do contexto de defesa de Bolsonaro ao regime ditatorial (1964-1985) que prendeu, torturou e matou opositores. Na Maria Antônia, em 1968, houve conflitos entre estudantes de esquerda da  Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, que ficava na mesma rua, e outros do Mackenzie, de orientação conservadora. De dentro do Mackenzie, partiu um tiro que matou um ativista estudante da USP.

Apesar da história de sangue ligada às forças que Bolsonaro defende, esta não seria a razão de sua visita. Hoje, o Mackenzie abriga um importante centro de pesquisas sobre o grafeno, um material de tecnologia avançada que conduz calor e eletricidade, com extrema maleabilidade.