América do Sul

Deputada vai denunciar no Parlasul ataques de Bolsonaro à democracia

Fernanda Melchionna (Psol-RS) toma posse como membro titular do órgão na próxima segunda-feira, em Montevidéu, e vai destacar a “recomendação” do presidente da República para celebrar o golpe de 64

Reprodução/Youtube
Fernanda Melchionna

“Ser parte do Parlasul é crucial para fazer resistência diante do governo autoritário de Bolsonaro”

São Paulo – A deputada Fernanda Melchionna (Psol/RS) irá denunciar, no Parlamento do Mercosul, os ataques à democracia e aos direitos humanos pelo governo de Jair Bolsonaro desde o início do seu mandato. A parlamentar, que exerce na Câmara dos Deputados seu primeiro mandato, toma posse como membro titular do órgão, em sua primeira sessão ordinária, na próxima segunda-feira (1º) em Montevidéu (Uruguai).

Ela deve destacar a “recomendação” do presidente da República ao Ministério da Defesa para que se comemore o golpe de 64. O Parlasul é composto por 37 parlamentares brasileiros, 43 da Argentina, 23 da Venezuela, 18 do Uruguai e 18 do Paraguai.

A assessoria da deputada lembra que a sessão será realizada no mesmo dia que marca os 55 anos do golpe que culminou, no Brasil, em uma ditadura responsável por 434 pessoas mortas e desaparecidas, segundo relatório da Comissão Nacional da Verdade divulgado em 2014. Os militares comemoram o golpe no dia 31 de março.

“Ser parte do Parlasul é crucial para fazer resistência diante do governo autoritário de Bolsonaro”, diz Fernanda. “A experiência de cada um desses países, que já viveram ditaduras e golpes de Estado e fizeram justiça de transição, como Uruguai e Argentina, é fundamental para fortalecer uma agenda de respeito aos direitos humanos e de garantia da recente democracia no Brasil.”

A deputada vai destacar no órgão regional a posição de Bolsonaro favorável ao regime no qual foram praticados crimes contra a humanidade, execuções sumárias, torturas e extermínio de indígenas. Além disso, ela pretende divulgar no âmbito do Parlasul os ataques que têm atingido pessoas LGBT, a desestruturação de políticas públicas para HIV/Aids e saúde das mulheres e a falta de interesse de autoridades federais nas investigações da morte da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), em março de 2018.