Nova agenda

Bolsonaro usa Previdência para ‘abafar’ demissão do ex-ministro Bebianno

Avaliação é de pesquisadora da FGV. Para ela, áudio vazado revela que Bolsonaro teme possíveis represálias do ex-ministro

ALAN SANTOS/PR
Bolsonaro tenta abafar demissão de Bebianno pautando a reforma da Previdência

Apontado como interlocutor do governo com o Congresso, demissão de Bebianno ainda preocupa Bolsonaro

São Paulo — A conversa em que o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), se mostra preocupado com as próximas ações do ex-ministro Gustavo Bebianno, demitido por causa do escândalo das candidaturas laranjas do PSL, revela que o governo ainda procura colocar “panos quentes” na ruidosa demissão. “Com certeza o Bebianno é uma pessoa importante, tem muita informação, e o governo está tentando pôr panos quentes na saída dele. Esperava-se uma saída mais honrosa (…) mas ainda assim houve uma pacificação na saída, ao menos no primeiro momento”, analisa Lara Mesquita, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em entrevista a Marilu Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual

Na conversa, obtida, supostamente, de modo acidental pelo jornalista Robson Bonin, do jornal O Globo, Bolsonaro teme que Bebianno, seu advogado de defesa em ações judiciais, cobre honorários que o levaria a ter de vender uma de suas casas. 

Segundo a pesquisadora, o governo de Bolsonaro agora procura ”abafar” o caso com a apresentação de uma agenda “positiva”, como a da “reforma” da Previdência. Ela destaca, porém, que muitos deputados já demonstraram um certo “incômodo” com alguns pontos da proposta, como, por exemplo, mudanças no Benefício da Prestação Continuada (BPC), na aposentadoria rural e na idade mínima dos professores.

Para Lara Mesquita, a partir de agora será preciso analisar a condução da proposta pelos presidentes da Câmara e do Senado e, ainda, a capacidade de articulação do governo de Jair Bolsonaro (PSL) de reunir apoio para a chamada “nova” Previdência. 

“Os desdobramentos recentes mostraram que o governo ainda não está muito afinado nesse processo (articulação)”, afirma a pesquisadora da FGV, citando a demissão de Bebianno, tido até então como o principal interlocutor do governo federal com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Isso pode prejudicar se não for rapidamente alinhado, e ainda não há essa sinalização. A gente precisa ver como o governo vai organizar sua bancada no parlamento.” 

Ouça a entrevista de Lara Mesquita