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Bolsonaro tem alta adiada por causa de risco de infecção

Presidente recebe um dreno de limpeza e se alimenta através de uma sonda pelo nariz. Colunista compara evolução do quadro de saúde de Bolsonaro com drama vivido pelo presidente Tancredo Neves
Publicado por Redação RBA
Política
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Divulgação/Bolsonaro
Bolsonaro Einstein

Evidências: Assim como com Tancredo, condições de Bolsonaro são “satisfatórias”, tudo “dentro dos padrões de normalidade”

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) apresentou complicações no pós-operatório do procedimento a que se submeteu para a retirada da bolsa de colostomia. Segundo boletim médico divulgado pelo Hospital Albert Einstein nesta segunda-feira (4), Bolsonaro teve febre (37,7°) e passou a tomar antibióticos, ainda no domingo (3). Os médicos também realizaram a retirada de líquido acumulado na região do intestino onde havia a bolsa de colostomia, retirada em cirurgia realizada na segunda-feira passada (28) – outro sinal de provável infecção – e instalaram um dreno para a retomada do trânsito intestinal do presidente.

De acordo com o boletim, Bolsonaro está sem dor, teve a febre controlada, mas está em jejum, sendo alimentado por meio de sonda nasogástrica. Ele também apresentou “alterações de alguns exames laborais” e “segue realizando exercícios respiratórios e de fortalecimento muscular.”

A alta médica, que estava prevista para esta quarta-feira (6), foi adiada, segundo o porta-voz da presidência, Otávio Rêgo Barros. “Quarta-feira não será mais o dia de alta de nosso presidente, até porque ele entrou num estágio que está sendo administrado antibióticos (sic) por no mínimo sete dias. Então, se tivermos, a partir de hoje, já contarmos um prazo, este prazo não será antes desses sete dias, que é exatamente o tempo de ação do antibiótico para debelar eventual infecção que possa ser gerada”, afirmou.

Ainda no sábado (2), Bolsonaro teve náuseas e vômitos em função de uma possível paralisação das funções do intestino delgado, informação não confirmada pela equipe médica e negada pelos assessores da presidência, que trataram o episódio como “reação normal e decorrente da retomada da função intestinal”. 

Suspeitas

O jornalista Mauro Lopes, em coluna publicada no portal Brasil 247, relaciona os episódios médicos envolvendo Bolsonaro ao ocorrido 34 anos atrás com o então presidente Tancredo Neves, primeiro presidente civil eleito, em 1985, após a ditadura civil-militar. Ele compara, em especial, os boletins médicos e a suspeita de que faltam informações sobre o real estado de saúde de Bolsonaro, assim como ocorreu com Tancredo.

Em 1985, o boletim médico do dia seguinte afirmava que a cirurgia transcorrera ‘sem anormalidades’; em 2019, o ‘sem complicações’.  No boletim de Tancredo quase duas semanas depois da cirurgia, as condições eram ‘satisfatórias’ e tudo estava dentro de ‘padrões de normalidade’; no mais recente boletim do Einstein, quase uma semana depois da cirurgia, há uma ‘evolução clínica estável’ e sem ‘complicações cirúrgicas'”, detalha o colunista.

Para Lopes, o mínimo que se pode dizer é que Bolsonaro não tem condições físicas para estar à frente da Presidência da República. “A situação de saúde de Bolsonaro é nebulosa. Dizer que é “normal” ou “estável” ou que ele está em “boas condições” é uma narrativa que inevitavelmente lembra o discurso médico-oficial no caso de Tancredo – e sabemos no que deu.”

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