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‘Agendas de Paulo Guedes e de Moro se complementam’, diz Vitor Marchetti

Na avaliação do cientista político, ministro da Justiça atua para barrar resistência popular contra as políticas econômicas do governo Bolsonaro
Publicado por Redação RBA
14:25
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Fátima Meira/Futura Press/Folhapress
Sergio Moro e Paulo Guedes

‘Guedes precisa que o Moro faz terra arrasada de todo o sistema político e social’, diz professor da UFABC

São Paulo – Para o cientista político e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) Vitor Marchetti, a agenda ultraliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, e a de “desarticulação social” do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, são complementares. Em sua avaliação, para evitar resistência popular contra as políticas econômicas do governo Bolsonaro, o ex-juiz federal tenta minar a capacidade de mobilização da sociedade.

“Você destrói a capacidade de mobilização e articulação civil dos que defendem políticas públicas. O Guedes precisa que o Moro faça terra arrasada de todo o sistema político e social e o ex-juiz se beneficia, porque seus privilégios foram mantidos”, explica.

O cientista político lembra de outros momentos da história do Brasil onde os movimentos sociais barraram agendas ultraliberais, como na tentativa de iniciar um processo de privatização da Petrobras durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na década de 1990.

O atual governo promete tipificar as manifestações de movimentos sociais como terrorismo. “É uma espécie de lawfare“, afirmou o professor aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria na Rádio Brasil Atual. 

Crise governamental

O ministro Moro se recusou a responder questionamento do Psol, por meio da Lei de Acesso à Informação, sobre se representantes da empresa Taurus estiveram no ministério antes da edição do decreto que flexibilizou as regras para posse de armas. Ele alegou direito à privacidade. 

O cientista político criticou a postura. “O ministro da Justiça se reúne com o maior fabricante de armas do país, às vésperas de um decreto que flexibiliza a posse de armas, não é de interesse público? Ele parece ter mais uma atuação de produzir a blindagem da Presidência.”

Marchetti também comentou as polêmicas envolvendo a família Bolsonaro e Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, após as denúncias de repasses de verba pública feitos para candidatas laranjas durante a eleição de 2018.

De acordo com o cientista político, em 46 dias de governo, Bolsonaro provou que é realmente o “novo” dentro da política. “O que vemos é algo nunca visto na República. Em 46 dias, que já parecem um ano, articulações desencontradas, organização das bancadas à margem dos partidos, lavagem de roupa suja em público, ministro que divulga áudio do presidente…”, ironizou.

“Fritar o Bebianno mostra como a política brasileira se desintegrou. O PSL é principal partido no Congresso, mas ele não é orgânico nem articulado, eles mesmos divergem. O que vai sobrar nesse ‘cada um por si’ é uma dificuldade de a gente prever as próximas movimentações”, analisa.