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Memória

Vavá, irmão de Lula, morre aos 79 anos em São Paulo

Irmão do ex-presidente vivia na periferia de São Bernardo. Estava internado desde a semana passada e lutava contra um câncer. Lei assegura a Lula direito de comparecer a velório e enterro
Publicado por Redação RBA
Política
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Ricardo Stuckert
Lula e Vavá

Imagem de Lula com Vavá postada pelo Twitter do ex-presidente

São Paulo – Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, morreu nesta terça-feira (29) aos 79 anos. Ele enfrentava um câncer no pulmão e estava internado desde a semana passada. Antes da doença, já havia enfrentado seis cirurgias no fêmur e nas costelas em tratamentos de problemas ósseos.

A defesa de Lula deve acionar a Justiça para que ele possa comparecer ao velório e ao enterro. No último Natal, quando morreu o ex-deputado e amigo Sigmaringa Seixas, Lula teve seu pedido de comparecer ao enterro negado pela Justiça. 

Ao recusar o pedido do ex-presidente para que pudesse deixar a cela na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso desde 7 de abril do ano passado, o juiz Vicente de Paula Ataíde Júnior mencionou artigo da Lei das Execuções Penais, que abre a permissão somente em caso de falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão.

Vavá era o terceiro de oito filhos que Eurídice Ferreira de Melo, a Dona Lindu, teve com o pai de Lula, Aristides (Luiz Inácio é o sétimo). Sete deles a acompanharam durante 13 dias em pau de arara de Caetés, sertão de Pernambuco, a São Paulo, em 1952. O mais velho, Jaime, já estava em Santos, no litoral paulista, com o pai.

Vavá aposentou-se como encarregado de transportes da prefeitura de São Bernardo do Campo. Morava no mesmo sobrado humilde na periferia da cidade do ABC paulista há mais de 40 anos. Todos os seis irmãos vivos do ex-presidente estão em situação semelhante.

Na década passada, período em que começou a se intensificar a perseguição judicial ao ex-presidente e seus familiares, Vavá chegou a ser indiciado, em 2007, por “tráfico de influência” pela Polícia Federal. A acusação: usar o “prestígio” de irmão de Lula para favorecer interessados em caça-níqueis. Acabou excluído da denúncia pelo Ministério Público, não sem antes apontar grande mágoa pelo desgaste causado pela perseguição.  

“Os caras pensam que a gente é milionário. Quebraram a cara. Desmoralizam você, te jogam no lixo. Se não tiver cabeça, acabou”, disse em reportagem de 2010, de Fábio Victor, no jornal Folha de S.Paulo

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que a morte de Vavá “é mais uma perda familiar irreparável, num grave período em que (o ex-presidente) é um preso político”. E questiona: “Quem devolverá a essa família o convívio que sem ser condenado definitivamente, e sem provas, lhe tiram? Por que o Judiciário permite isso?”.

“Lula tinha em Vavá uma figura paterna. Nossos sentimentos à família. Abraço afetuoso e de força a Lula. Esperamos que ele possa ver Vavá pela última vez”, afirmou a presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR). A ex-presidenta Dilma Rousseff também se solidarizou:  Lamento pela família e amigos, que enfrentam este momento de dor. Espero que o presidente Lula possa ao menos se despedir do seu irmão querido”.

“Meus pêsames, querido Lula. Que não lhe seja negada a presença na despedida do querido mano Vavá”, escreveu o cantor, compositor, cineasta e artista plástico Sérgio Ricardo.

 

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