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‘Presença de Marielle incomodava’, lembra ex-assessora da vereadora

Fernanda Chaves estava no veículo em que Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados, em março do ano passado. Sobrevivente, ela critica a falta de respostas em relação ao crime

TVT/REPRODUÇÃO
fernanda chaves

Fernanda, que atuou na CPI das Milícias, criticou a postura da família Bolsonaro (PSL), que já elogiou e homenageou milicianos

São Paulo – Aguardando respostas sobre quem matou Marielle Franco e Anderson Gomes há mais de 10 meses, a jornalista e ex-assessora da vereadora do Psol Fernanda Gonçalves Chaves lembra de como a presença da parlamentar incomodava nos corredores da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. “Ela era uma mulher negra, favelada e lésbica, ou seja, o corpo dela trazia todas as suas lutas. Só por isso ela já causava um incômodo no espaço ocupado por homens brancos ricos”, diz, ao relembrar também os diversos casos de assédio que sofriam na Casa.

Fernanda estava no veículo no dia em que a vereadora foi assassinada, em março do ano passado, e ficou ferida pelos estilhaços. Ela foi  a convidada do Entre Vistas, da TVT, nesta terça-feira (22), gravado no Café do Sindicato dos Bancários, na região central de São Paulo. Além de Juca Kfouri, fizeram parte da bancada de entrevistadores o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Moisés Selerges e Monica Seixas, codeputada estadual eleita em São Paulo com a bancada ativista.

Assessora parlamentar com atuação na CPI das Milícias, Fernanda conta que sentia um clima de insegurança para a família, então foi para o exterior, mas com a expectativa de retornar rapidamente ao Brasil.

“Eu acreditava nisso porque nos dias que se seguiram ao atentado surgiram imagens do carro envolvido no crime, então despertava uma esperança de resolução num tempo rápido. Achava que, em duas semanas, já teria o indicativo dos envolvidos”, afirma.

Fernanda fala também sobre a mudança em sua vida após o atentado. Apesar de um processo complicado, como a própria jornalista define, ela diz ter encontrado um modo de seguir em frente. “Tive muito amor da minha família, estamos todos mais próximos. Ao mesmo tempo que você vive o horror, um outro lado ascende. Então você escolhe para qual lado vai olhar”, conta.

Depois de 10 meses fica difícil acreditar que vão solucionar o caso, acrescenta. “As autoridades precisam entregar essa resposta, se não vamos passar o atestado de incompetência”, aponta.

Na manhã de ontem, uma operação policial no Rio de Janeiro realizou a prisão de ao menos cinco suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle e de Anderson Gomes. Os presos são integrantes da milícia considerada a mais perigosa e antiga do estado, chamada Escritório do Crime.

Com seu histórico de investigação sobre milicianos, Fernanda critica a postura do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que já elogiou, em 2003um grupo de extermínio que atuava na Bahia. “Muitas autoridades consideram as milícias como um ‘mal menor’. Isso é um fato incômodo, que cria insegurança e indignação profundas. Quem vive nos espaços controlados por esses grupos sabe a situação imposta, você paga taxas para sobreviver”, lamenta.

Entre Vistas vai ao ar todas as terças-feiras, às 21h. Pode ser visto no Youtube (www.youtube.com/redetvt) e na página da TVT no Facebook.

Assista na íntegra: