Home Política Amorim critica decreto de Bolsonaro que abre o Itamaraty para não diplomatas
Relações exteriores

Amorim critica decreto de Bolsonaro que abre o Itamaraty para não diplomatas

Medida do novo governo possibilita que cargos no Itamaraty, inclusive de chefia, possam ser ocupados por não diplomatas, algo inédito na história do país
Publicado por Redação RBA
11:54
Compartilhar:   
Valter Campanato/Agência Brasil
Bolsonaro muda regras de cargos do Itamaraty

Celso Amorim acredita que decisão de Bolsonaro pode causar insegurança na carreira de diplomata

São Paulo — A decisão do governo Bolsonaro de abrir caminho para que cargos do Itamaraty, inclusive de chefia, possam ser ocupados por não-diplomatas, causou surpresa. Para Celso Amorim, embaixador, ex-ministro das Relações Exteriores e ex-ministro da Defesa, a situação é completamente nova e deve causar insegurança nos profissionais que se dedicam à carreira diplomática. 

“É uma coisa totalmente nova. Não me recordo, em toda minha vida de diplomata, que cargos em comissão existissem sem ser preenchidos por diplomatas. É uma coisa surpreendente. E deve gerar insegurança dentro da própria carreira”, afirma. 

Amorim pondera que houve épocas em que havia adidos culturais no exterior, já houve o cargo de ministro de Assuntos Econômicos (depois extinto), mas que até a ditadura civil-militar foi “respeitosa” com a estrutura do Itamaraty. “Os militares nunca colocaram ninguém de fora do Itamaraty em cargos de chefia no Brasil”, observa.

O ex-chanceler destaca que houve embaixadores no exterior não-diplomatas, algo permitido por lei, mas que desde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva todos os embaixadores são diplomatas de carreira. “Ao contrário do que se diz, não houve nenhum aparelhamento. Houve um total prestígio à carreira de diplomata. Não houve um DAS (cargo em comissão) destinado a quem não fosse diplomata de carreira.”

Alardeado pelo novo governo federal de que irá extinguir “as ideologias” das relações exteriores do Brasil, Celso Amorim avalia que esse é um discurso fantasioso e que remonta aos tempos da Guerra Fria, destacando que o Brasil mantém relações diplomáticas com todos os países do mundo.  

“Você procura vender para quem quer comprar e pagar bem, respeitadas as regras do comércio internacional. E você não carimba os produtos que compra ou vende por ‘países amigos’, até porque essa terminologia é totalmente estranha e vem da época da Guerra Fria, onde predominavam critérios ideológicos.” 

Ouça a entrevista na íntegra: