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Para especialistas, governo não deve acelerar votação da reforma da Previdência

'Acho absolutamente imprudente levantar esta discussão agora. É o mercado forçando a barra', avalia o analista político do Diap Marcos Verlaine
Publicado por Redação RBA
13:40
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Arquivo EBC/Reprodução
Reforma da Previdência

Ex-ministro da Previdência Social analisa ainda interesse do governo Bolsonaro em fazer uma reforma mais severa que PEC 287/2016

São Paulo – O projeto de reforma da Previdência desenhado pelo governo de Michel Temer (MDB) dificilmente conseguirá ser aprovado ainda neste ano, como têm sugerido o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e seu futuro ministro na área econômica, Paulo Guedes. A avaliação é do analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) Marcos Verlaine.

Em entrevista à repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual, Verlaine observou que, além do escasso tempo para o debate da matéria, pouco mais de um mês, e da vigência da intervenção militar no estado do Rio de Janeiro que impede a votação de emendas à Constituição, a postura mais responsável por parte do atual governo seria não acelerar a tramitação da matéria. “Acho absolutamente imprudente levantar esta discussão agora. É o mercado forçando a barra por uma visão equivocada de fazer de qualquer jeito a reforma porque lhe interessa”, afirma o analista político.

As pressões por parte do governo eleito revelam, de acordo com o ex-ministro da Previdência Social Carlos Gabas, o interesse por uma proposta ainda mais ampla que a do governo Temer e por mais retiradas de direitos. Segundo Gabas, desde o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff, o regime previdenciário está sendo repensado, mas priorizando-se as novas formas de financiamento e medidas voltadas ao crescimento do número de empregos formais, que aumentam a arrecadação.

O ex-ministro pondera que o modelo proposto por Paulo Guedes, semelhante à estrutura implantada no Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), com a privatização da previdência e a manutenção de privilégios – já que os militares seriam excluídos do projeto – será mais severo em relação ao corte de direitos dos trabalhadores.

“Acho que ele (Bolsonaro) vai encontrar dificuldades, categorias que certamente vão se mobilizar. Haverá uma resistência forte dos servidores públicos e, obviamente não deve se propor nada para os militares. Então, a vida dele também não vai ser fácil. Bravata não aprova lei no Congresso Nacional”, afirma Gabas.