Home Política Paulo Pimenta: Moro em ministério revela ‘relações subterrâneas’ da Lava Jato
Governo Bolsonaro

Paulo Pimenta: Moro em ministério revela ‘relações subterrâneas’ da Lava Jato

Em nota, advogado de Lula diz afirma que 'formalização do ingresso do juiz Sérgio Moro na política mostra que ex-presidente foi encarcerado sem prova para interditá-lo politicamente'
Publicado por Redação RBA
17:14
Compartilhar:   
Reprodução
Paulo Pimenta

Pimenta disse que o PT recorreu à PGR várias vezes, mas Janot e Raquel Dodge não demonstraram “disposição”

São Paulo – O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do partido na Câmara, afirmou que a escolha do juiz Sérgio Moro pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, para ocupar o superministério da Justiça, aceita hoje pelo magistrado de Curitiba, é “um escândalo de proporções sem similar no direito internacional”. “Se na Itália o juiz da Operação Mãos Limpas tivesse aceitado ser ministro da Justiça do (ex-primeiro-ministro Silvio) Berlusconi, iriam todos para a cadeia. Esse episódio é de uma gravidade que expõe o Poder Judiciário na sua totalidade”, disse. “Descortina o conjunto de relações subterrâneas que envolve o esquema da Lava Jato com um esquema de poder. Não é à toa que a imprensa especula que o Carlos Fernando (dos Santos Lima), um dos chefes da Procuradoria-Geral da Republica em Curitiba, fará parte da equipe do Moro.”

O deputado conjectura que é provável que a PGR, “ou pelo menos” o Ministério Público Federal (MPF), já soubesse do convite a Moro durante a campanha eleitoral. “Hoje eu entendo o desespero do juiz Sérgio Moro quando foi pedido o habeas corpus para que o presidente Lula fosse colocado em liberdade. Para que esse projeto de poder se realizasse, era fundamental que Lula não fosse candidato.”

Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou: “A formalização do ingresso do juiz Sérgio Moro na política e a revelação de conversas por ele mantidas durante a campanha presidencial com a cúpula da campanha do presidente eleito provam definitivamente o que sempre afirmamos em recursos apresentados aos tribunais brasileiros e também ao Comitê de Direitos Humanos da ONU: Lula foi processado, condenado e encarcerado sem que tenha cometido crime, com o claro objetivo de interditá-lo politicamente”.

Segundo o advogado, “a defesa tomará as medidas cabíveis no plano nacional e internacional para reforçar o direito de Lula a um julgamento justo, imparcial e independente”.

Pimenta citou o episódio da interceptação telefônica ilegal contra a então presidente Dilma Rousseff quando da nomeação de Lula à chefia da Casa Civil. A representação protocolada pelo PT junto ao Conselho Nacional de Justiça até hoje não foi julgada.

O deputado falou também das diversas vezes em que sua legenda recorreu à PGR, que, com Rodrigo Janot ou Raquel Dodge, não demonstrou “qualquer disposição” de abrir uma investigação séria.

O partido vai iniciar uma nova campanha internacional de denúncia sobre a utilização do Judiciário “para a consolidação de um projeto de poder”.

Para o governador reeleito no Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), o juiz Moro aceitar o ministério de Bolsonaro “é um ato de coerência”. “Eles estavam militando no mesmo projeto político: o da extrema-direita. O grave problema é esconder interesses eleitorais por baixo da toga. Não há caso similar no Direito no mundo inteiro”, disse.

No mundo

O episódio envolvendo Moro no futuro governo Bolsonaro repercutiu na imprensa internacional. O jornal britânico Financial Times afirma: “Bolsonaro nomeia juiz que ajudou a prender Lula”. O The Times diz que “Bolsonaro promete empregão para o juiz que prendeu o seu rival”.

O diário francês Libération destacou um aspecto preocupante sobre uma possível medida do futuro governo, no âmbito das relações exteriores. “Bolsonaro planeja transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém”, diz o jornal.

Na opinião do ex-chanceler Celso Amorim, uma decisão de mudar a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém é “a mais chocante” entre as até agora especuladas, que poderiam ser adotadas por Bolsonaro.