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Com Tereza Cristina, Bolsonaro reafirma desinteresse pela questão ambiental

Pesquisadora da USP Larissa Mies Bombarbi avalia que nomeação representa a flexibilização da legislação relativa ao meio ambiente e a intensificação no uso de agrotóxicos como políticas de governo
Publicado por Redação RBA
14:56
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José Cruz EBC/Reprodução
Bolsonaro ruralista

“Ela é a porta voz dos interesses das indústrias produtoras de agrotóxicos”, afirma a pesquisadora

São Paulo – O atual quadro de crescimento de mortes em decorrência da intoxicação por agrotóxicos, que faz uma vítima a cada dois dias e meio no Brasil segundo dados do Ministério da Saúde, poderá ser agravado diante das políticas planejadas pelo futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL). A análise é da pesquisadora do departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Larissa Mies Bombarbi, que vê na nomeação da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) como ministra da Agricultura a confirmação de uma “tragédia anunciada”.

Nessa quarta-feira (7), o presidente eleito anunciou a parlamentar ruralista, que preside a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e é entusiasta do chamado Pacote do Veneno, conjunto de alterações legais que facilita o uso de agrotóxicos, o que a fez receber a alcunha de “Musa do Veneno” pelos próprios parlamentares. “Ela é a porta voz dos interesses das indústrias produtoras de agrotóxicos, ‘musa do veneno’ não é por outra coisa, ela vai ser o braço executor destes interesses”, afirma, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual.

A pesquisadora menciona ainda que, para além dos efeitos reversos que a flexibilização da legislação ambiental e a intensificação no uso de agrotóxicos terão sobre a saúde da população, o meio ambiente, o preço dos alimentos e a violência do campo e contra indígenas, até mesmo o comércio exterior pode ser afetado por conta da imposição de sanções econômicas, a começar pela União Europeia, que vem endurecendo suas leis contra o uso de venenos.

Ouça a entrevista completa: