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'Não vou chamar o Meirelles, vou taxar o Meirelles', diz Boulos em debate na TV

Ciro voltou a dizer que sentença de Lula é injusta. "A Justiça barulhenta, que vive de gravatinha borboleta nos salões da grande burguesia nacional e estrangeira, está sempre vulnerável à suspeição"
por Redação RBA publicado 09/09/2018 19h21, última modificação 09/09/2018 21h03
Ciro voltou a dizer que sentença de Lula é injusta. "A Justiça barulhenta, que vive de gravatinha borboleta nos salões da grande burguesia nacional e estrangeira, está sempre vulnerável à suspeição"
Divulgação/Gazeta
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Terceiro debate entre presidenciáveis trouxe polêmicas sobre setor financeiro e corrupção

São Paulo – O primeiro bloco do debate entre os presidenciáveis promovido pela TV Gazeta, Estadão, Jovem Pan e Twitter neste domingo (9) foi marcado pelo tema do privilégio do setor financeiro. O candidato do Psol, Guilherme Boulos, afirmou que vai enfrentar os privilégios e privilegiados, e atacou Henrique Meirelles (MDB). "Você é um dos privilegiados. Quando vocês governam, sempre dá desemprego. Sempre dá recessão."

Meirelles reagiu e afirmou que, quando presidente do Banco Central, durante os governos Lula, ajudou a criar 10 milhões de empregos em oito anos. Já durante o governo Temer, disse que ajudou a criar as condições para a criação de outros 2 milhões de empregos, e para que "o país saísse da maior recessão da sua história".  Mais uma vez, Meirelles afirmou que o Brasil não se divide "em quem gosta ou não gosta do Lula, mas em quem trabalha ou não trabalha".

"Banqueiro falando em trabalho é uma coisa extraordinária", rebateu Boulos, que prometeu taxar a fortuna de mais de 400 milhões de Meirelles. "Não vou chamar o Meirelles, vou taxar o Meirelles", afirmou Boulos, que disse que as isenções a setores empresariais, o "bolsa empresário", tinham custos dez vezes maiores que o bolsa família. Meirelles se defendeu: "Trabalhei a vida toda, e paguei impostos. Ao contrário de quem só fala, e quer tomar a propriedade dos outros."

 Antes, respondendo ao candidato Álvaro Dias, que falou que os bancos gozam de privilégios em relação aos trabalhadores e ao setor produtivo, Guilherme Boulos (Psol) afirmou que, no Brasil, "banco aqui faz o que quer". "Esse é um dos raros pontos em que concordo com o Álvaro Dias. É uma verdadeira Disneylandia financeira." afirmou Boulos, que prometeu acabar com a "bolsa banqueiro" que, segundo ele, consome cerca de R$ 400 bilhões do orçamento por ano.

Ele destacou que o Santander, para uma mesma linha de crédito, cobra 140% de juros, no Brasil, e zero na Espanha, e defendeu a utilização dos bancos públicos para estimular a competitividade e reduzir as taxas. "Se a caixa economia e o Banco do Brasil baixam os juros, os bancos privados vem atrás, senão perdem a clientela. O mercado já falou demais. Está na hora de ouvir a população.

O primeiro bloco do debate trouxo concordâncias entre os candidatos Ciro Gomes e Marina Silva. Ambos defenderam a educação em tempo integral e a implementação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Ciro defendeu também a federalização do combate ao crime organizado, corrupção, além de crimes cometidos por policiais e lavagem de dinheiro.

Ele atribuiu o crescimento da criminalidade às quadrilhas organizadas que espalharam a partir do Rio de Janeiro e de São Paulo. "Vamos expropriar esse dinheiro, porque é a única forma de combater o crime organizado", prometeu Ciro. Marina disse ser "inadmissível" que criminosos comandem o crime de dentro da cadeia, e "ainda por cima exportem para outros estados".

Geraldo Alckmin (PSDB) prometeu cobrar dos planos de saúde cerca de R$ 3 bilhões devidos por tratamentos prestados pela rede pública, e defendeu a criação de um programa de apoio às santas casas que, segundo ele, são responsáveis por 51% dos atendimentos de saúde. Alvaro Dias (Pode) afirmou que "O que falta não é dinheiro, é planejamento, gestão competente e honestidade."

Segundo bloco tem Ciro defendendo Lula

 

O jornalista Rodolfo Gamberini questionou o candidato do MDB a respeito de ter aplicações em um paraíso fiscal. "Esta informação é equivocada. O que existe é uma fundação com finalidade exclusiva de aplicar recursos em educação no Brasil depois que eu falecer. Grande parte da minha herança vai ser feita uma doação para essa fundação", respondeu Meirelles.

Coube a Ciro Gomes comentar a resposta. "O Brasil permite de uma forma absolutamente imoral que os brasileiros abastados mantenham bilhões de dólares no estrangeiro, sangrando este país", disse, ressaltando que considerava o ex-ministro da Fazenda uma pessoa honesta.

Augusto Nunes trouxe ao debate o assunto da Lava Jato, perguntando a Alvaro Dias, que tem dito de forma recorrente desejar Sergio Moro no ministério da Justiça. "A Operação Lava Jato tem que ser política de Estado para que o Brasil volte a ser sério", defendeu.

"A Justiça barulhenta, que vive de gravatinha borboleta nos salões da grande burguesia nacional e estrangeira, está sempre vulnerável a uma suspeição e tudo o que não precisamos é que uma operação tão importante potencialmente seja inclinada à suspeição", disse Ciro ao comentar a resposta de Meirelles, ressaltando considerar a sentença que condenou Lula "injusta".

"No Brasil, o sistema que vale, é isso é só Direito, é o que está escrito. O juiz Sergio Moro não consegue demonstrar uma prova sequer e condena o Lula pelo que nós do Direito chamamos de conjunto de indícios. É a primeira sentença que conheço dessa natureza", afirmou Ciro.