Eleições 2018

Ministro da Fazenda tem que resolver os problemas do povo, diz Haddad

Em ato de campanha, candidato rebate proposta de economista de Bolsonaro e responde a uma provocação de Ciro Gomes: 'Ciro é meu amigo e pertencemos ao mesmo campo. Às vezes temos conceitos diferentes'

Reprodução
Haddad em Guarulhos

Perguntado sobre qual o perfil de um ministro da Fazenda, candidato respondeu de bom humor: ‘o meu’

São Paulo – Em entrevista coletiva ao chegar a Guarulhos (município da região metropolitana de São Paulo), onde participou de mais um ato de sua campanha  à Presidência da República, Fernando Haddad (PT) respondeu a jornalistas sobre a proposta do economista Paulo Guedes, provável ministro da Fazenda de um eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL), de criar uma taxa única do Imposto de Renda de 20% para todas as pessoas físicas ou jurídicas. 

“É um desastre, porque ele vai fazer o pobre, que já paga mais imposto que o rico, pagar ainda mais. O pobre paga no consumo, por isso que a maior  parte da renda dele vai para imposto. O rico consome menos proporcionalmente, e paga menos Imposto de Renda.” Ele afirmou que, se eleito, não vai recriar a CPMF. “Vamos isentar de IR quem ganha até cinco salários mínimos.”

Aos repórteres que indagaram quem seria eventualmente seu ministro da Fazenda, afirmou que é prematuro discutir nomes. “É natural que as pessoas especulem. Não estamos trabalhando ainda com a equipe. Temos um plano de governo. A equipe você começa a montar no segundo turno, pra ganhar a eleição.”

Com a insistência dos jornalistas, que queriam saber pelo menos “qual o perfil” de um ministro da Fazenda de seu governo, reagiu com bom humor: “O meu”. Depois, explicou: “Eu ia ser o ministro da Fazenda do Lula. Ele tinha me convidado, é por isso que digo.”

Segundo Haddad, o perfil de um ministro da Fazenda tem que ser “pragmático, no sentido de buscar solução para os problemas do povo. Às vezes os economistas são muito sectários”, disse. “Acham que são donos da verdade. Quando se está no governo você tem que ter pragmatismo, jogo de cintura, flexibilidade para buscar solução.”

Questionado se responderia à afirmação do candidato do PDT, Ciro Gomes, segundo o qual o Brasil “não suporta mais um presidente fraco”, o petista foi diplomático. “Ciro é meu amigo e pertencemos ao mesmo campo. Às vezes temos conceitos diferentes. Força de um presidente, para mim, se dá por duas questões: firmeza de propósito e autocontrole, para evitar provocação. Sou uma pessoa firme e controlada.”

Mais cedo, em São Mateus (zona leste de São Paulo), Haddad criticou o PSDB e o candidato do partido ao governo do estado. “O (João) Doria tomou o leite de vocês. Queria dar uma ração para vocês. Ele falou que pobre não tem hábito alimentar”, afirmou, em rápido comício.

“O dia 7 (de outubro, dia do primeiro turno das eleições) está chegando. Tem um acerto de contas democrático para ser feito. Deram o golpe, tiveram dois anos pra mostrar a que vieram, e vieram a nada. Só cortaram direito do trabalhador, das mulheres, dos negros. É hora de retomar o nosso projeto.”

 

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