Sabatina

Meirelles atribui desempenho econômico do governo Lula à sua credibilidade

Apesar das elevadas taxas de desemprego do governo Temer, no qual foi ministro da Fazenda, candidato prometeu criar 10 milhões de postos de trabalho em apenas um mandato

Reprodução/Faap
Meirelles

Meirelles evitou se posicionar sobre questões como drogas, aborto e cotas: “não é tucanagem, não”

São Paulo – O candidato à presidência do governo Temer, Henrique Meirelles,  (MDB) atribuiu a criação de 10,2 milhões de empregos durante os oito anos do governo Lula à sua credibilidade à frente do Banco Central (BC). Em sabatina com presidenciáveis promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo, em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) nesta quinta-feira (5), ele destacou que foi “aplaudido de pé”, em 2009, durante reunião com presidentes de bancos centrais de outros países, pela “mais bem-sucedida” recuperação econômica em todo o mundo, após a deflagração da crise econômica internacional de 2008. Em outro momento, disse que, a partir de julho de 2004, “foram 61 meses consecutivos crescendo sem parar”. 

Sobre a sua atuação como ministro da Fazenda de Temer, Meirelles disse ter criado cerca de dois milhões de empregos, só em 2017, e atribuiu o fraco desempenho econômico atual, com a manutenção de elevados índices de desemprego, às incertezas do processo eleitoral deste ano. Dizendo-se pouco afeito a promessas, preferindo destacar “realizações e compromissos”, ainda assim, prometeu criar outros 10 milhões de empregos em apenas um mandato. 

Segundo ele, alguns candidatos sugerem uma “volta atrás”, sem citar nomes, enquanto outro diz não saber nada de economia, mas promete distribuir armas para todos. Meirelles destacou a sua capacidade de transitar entre as diversas forças políticas, acha que o Brasil não se divide entre “quem gosta do Lula e quem não gosta, ou quem gosta do FHC e quem não gosta”, e atribuiu seu sucesso na carreira, ressaltando ter chegado “ao topo” em uma instituição financeira norte-americana, à educação pública do Brasil.

Contudo, fez propostas superficiais para a área, e afirmou que o Teto de Gastos, aprovado durante o governo Temer, não retira verbas da áreas de educação e saúde. Segundo ele, não há teto, mas um piso, “o piso constitucional”. Ele defendeu a criação de um “Prouni para creches”, sem detalhar como funcionaria. E relacionou a melhora da qualidade nos ensinos básico e fundamental à retomada do crescimento, que garantiria o aumento da arrecadação para estados e municípios, responsáveis pela maior parte dos alunos do sistema público.

Sobre temas polêmicos, como a legalização das drogas, aborto e sistema de cotas, Meirelles evitou posicionamentos contundentes, se esquivando sempre ao recorrer àquilo que a lei já determina. “Ninguém pode ser preso pelo consumo, e o tráfico deve ser combatido”, “sou favorável ao direito da mulher e a favor da preservação da vida”, “sou a favor das cotas, que precisam ser aperfeiçoadas”, declarou. Por mais de uma vez, disse “não é tucanagem, não”, para disfarçar a falta de contundência nos posicionamentos. Para a saúde, diz que “a princípio”, vai manter o SUS como um sistema público, e defendeu a sua informatização, com a criação de um prontuário eletrônico, para reduzir custos e melhorar a eficiência no atendimento. 

Para a política de preços do gás de cozinha, do óleo diesel e da gasolina, defendeu um “fundo de estabilização”, que amenize a volatilidade dos preços, mas sem detalhar a proposta.  Ele também defendeu a realização de uma reforma da Previdência, aos moldes da proposta derrotada no ano passado, sob o risco de as aposentadorias consumirem até 80% do orçamento “em poucos anos”. Mesmo se apresentando como um defensor do equilíbrio das contas públicas, disse não ser realista a proposta do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) de zerar o déficit público em dois anos. 

A única posição mais contundente foi quando disse ser contra a liberação de armas, inclusive em áreas rurais, como propõem outros candidatos. “Onde já se viu uma situação em que a polícia e o governo abdicam da sua função básica que é garantir a segurança do cidadão?”, questionou. Disse que até mesmo em países com “segurança excepcional” e “sistema de informação extraordinário”, como os Estados Unidos, segundo ele, tem sido registradas “tragédias” devido à liberação das armas.

Confira a íntegra da sabatina Estadão/Faap: