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Mulheres na Política

Machismo e racismo fazem parte da estrutura do Estado, diz Manuela D’Ávila

'Não quero que minha filha seja morta ou estuprada. Precisamos construir um Brasil em que os homens nos tratem com igualdade. Isso não é mimimi', afirmou a candidata, em debate entre mulheres
Publicado por Redação RBA
12:58
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reprodução/facebook
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Manuela D’Ávila destacou a necessidade de se combater a cultura do estupro

São Paulo – Manuela D’Ávila (PCdoB), candidata a vice na chapa de Fernando Haddad (PT), afirmou que o racismo e o machismo são “parte estruturante do Estado brasileiro”. No debate Mulheres na Política, promovido nesta sexta-feira (28) pelo jornal El País em parceria com o Instituto Locomotiva, ela disse que são as mulheres negras as mais afetadas pela precarização do trabalho, e defendeu a retomada do crescimento econômico para o país voltar a criar vagas “com direitos”. 

Pelo volume de trabalho como profissionais, mães e muitas vezes chefes de família e dupla ou tripla jornada, as mulheres deverem ter assegurado o direto a se aposentar mais cedo dos que os homens. A tese foi enfatizada por Sônia Guajajara (Psol, vice na chapa de Gulherme Boulos) e Kátia Abreu (PDT), vice de Ciro Gomes, que também defendeu o mesmo entendimento para trabalhadores rurais, professores e policiais.

Manuela observou que são as mulheres negras as que mais sofrem com a falta de creches para os seus filhos, bem como a falta de qualidade em serviços públicos de saúde e educação. E destacou o protagonismo da luta das mulheres negras contra as desigualdades, a discriminação e violência. 

Vice da chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), a senadora Ana Amélia (PP-RS) afirmou que “a Lei Áurea não foi capaz de acabar com o racismo”, defendeu a política de cotas nas universidades e no serviço público, e disse acreditar que em “mudança cultural”, através da educação, para “mitigar” o preconceito contra a mulher negra. Dados apresentados pelo Instituto Locomotiva apontam que elas recebem o equivalente a 56% da renda de um homem branco. 

Vice participativa

Sônia Guajajara destacou que não é uma “vice decorativa” e destacou que todas as ações de sua campanha são construídas de maneira “conjunta e compartilhada”. Ela critica a imprensa pela invisibilidade das mulheres durante a campanha, apesar de ocuparem o cargo de vice em quatro chapas.

Sônia é originária da Terra Arariboia (MA) e a primeira indígena a disputar uma eleição presidencial. Forrmada em Letras e em Enfermagem, especialista em Educação especial pela Universidade Estadual do Maranhão.

Manuela destacou a necessidade de se combater a “cultura do estupro” e afirmou que as ações de proteção à mulher devem envolver iniciativas não apenas do Poder Executivo. “Não quero que minha filha seja morta ou estuprada. Precisamos construir um Brasil em que os homens nos tratem com igualdade. Isso não é mimimi”. Ela também afirmou que a atual política de segurança do país é “um fracasso”, porque mesmo com cada vez mais armas e cada vez mais presos, a sensação de insegurança não diminui. 

Ela e Kátia Abreu defenderam a federalização do combate a crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, para que as polícias possam assim dar o tratamento devido para a segurança das mulheres.

Polarização

A profunda divisão política brasileira norteou o fim do debate. Cada uma das candidatas colocou sua chapa como a ideal para “pacificar” o país. Kátia Abreu lembrou do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), em 2016. “Vivemos um período muito difícil. O PT está com feridas abertas e posso falar com altivez porque fui uma das maiores defensoras contra o impeachment. Eu estive lá e a Manuela também. Mas agora, o Brasil precisa de uma atitude que centralize e pacifique”, disse, ao defender que Ciro Gomes, ao lado dela, seria o agente para essa estabilidade.

Já para Manuela, as cicatrizes abertas da democracia brasileira foram intensificadas no processo eleitoral de 2014. “Quando o PSDB não reconheceu o resultado das eleições, fomentou o ambiente de ódio que pariu um candidato que nos odeia. Odeia todos nós e estamos reagindo”, disse, em referência a Jair Bolsonaro (PSL).

“Vamos vencer isso com um projeto de crescimento inclusivo e não excludente. Temos um candidato experiente, tranquilão, sereno e firme. Precisamos levar nosso projeto para gerar emprego e combater desigualdades. Não se resolve os problemas com grito. Precisamos pontes a partir de ideias. Haddad é o mais qualificado para nos fazer crescer com investimento público”, completou.