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Boaventura no 'Entre Vistas': democracia e capitalismo são incompatíveis

Programa da TVT, que foi ao ar nesta terça-feira (4), discutiu também a união das esquerdas frente ao fascismo
por Redação RBA publicado 05/09/2018 12h14, última modificação 05/09/2018 12h41
Programa da TVT, que foi ao ar nesta terça-feira (4), discutiu também a união das esquerdas frente ao fascismo
TVT/REPRODUÇÃO
Boaventura de Sousa Santos

Boaventura é um dos fundadores da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e do Fórum Social Mundial

São Paulo – O programa Entre Vistas, da TVT, recebeu nesta terça-feira (4), o professor e sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Entre os temas abordados, o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra falou sobre a presença do colonialismo no Brasil, a incompatibilidade da democracia com o capitalismo, além da união das esquerdas frente ao fascismo. Ao lado do apresentador Juca Kfouri, compuseram a roda de debates o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Deiverson Cozzi e a diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo Ana Tercia Sanches.

Para o pensador português, o colonialismo ainda se manifesta nos dias atuais dentro do Brasil. Apesar da saída dos portugueses após a Independência, a figura da colonização apenas mudou de forma, explica o professor, que aponta o racismo como sua principal herança. "O ódio que se abate contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é apenas um ódio de classe. Ele é um nordestino, que não pertence às oligarquias que querem o Estado privatizado. A Dilma foi alvo do sexismo (no impeachment) também", explica.

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Boaventura aponta uma incompatibilidade entre democracia e capitalismo. Para ele, enquanto um representa a soberania popular, o outro tem como objetivo acumular lucro e renda. O professor afirma que a solução para essa "tensão" é uma regulação, mas comandada pela democracia progressista.

Entre os exemplos dessa regulação sobre o capital, está a Alemanha Ocidental. "Os mais ricos pagavam 70% de impostos para que se financiasse os programas sociais. Houve também a nacionalização das áreas estratégicas. Após a queda do muro de Berlim, a tensão voltou a tomar conta, com o fim da social democracia e o controle do capitalismo sobre a democracia", conta.

Diante da crise atual do Brasil e as eleições presidenciais em outubro deste ano, Boaventura alerta que a falta de união das esquerdas apenas fortalece o neoliberalismo e a direita, cenário que permite a ascensão de figuras como a do candidato Jair Bolsonaro (PSL). "A nova geração poderia olhar o que nos espera e nos une e ver que a união é mais importante que a separação, num período ainda que a democracia está em perigo", afirma.

Ele lembra que em Portugal a direita se aproveitou da divisão das esquerdas até a última eleição quando, para frear os avanços neoliberais no país, os movimentos de oposição se uniram. "Entre 2011 e 2015, perdemos 6% do PIB por causa de uma direita neoliberal, igual se faz no Brasil. Os partidos comunista e o socialista sentaram e juntaram os pontos, fizeram um governo de coalizão, sem que cada um perdesse sua identidade", explica Boaventura.