eleições 2018

Em primeira participação em debate na TV aberta, Haddad lembra legado de Lula

Tema da corrupção conduziu primeira metade do debate na TV Aparecida. Encontro foi o primeiro com a participação do representante do PT após Lula ter candidatura rejeitada

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No primeiro bloco, os candidatos responderam a uma pergunta feita pelo cardeal de São Paulo, Dom Odilo Scherer

São Paulo – O debate exibido na noite de hoje (20) pela TV Aparecida foi o primeiro que contou com a presença do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, que está à frente da chapa com Manuela D’Ávila (PCdoB) como vice, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impedir a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela legenda. O candidato que lidera as pesquisas de intenções de voto, Jair Bolsonaro (PSL), representante do campo conservador, não participou, porque continua hospitalizado desde que levou uma facada em ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

No primeiro bloco, os candidatos responderam a uma pergunta feita pelo cardeal de São Paulo, Dom Odilo Scherer, e aproveitaram para se apresentar. Ele abriu o programa com uma pergunta sobre corrupção e sobre como resgatar a credibilidade da política e das instituições de poder no Brasil. “Tenho uma vida dedicada à justiça social. Sou coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) que enfrenta a violência da falta de moradia. No Brasil tem mais casa sem gente do que gente sem casa”, disse Guilherme Boulos, candidato do Psol, primeiro a se manifestar.

“O Brasil não vive apenas uma crise política e econômica. Vive uma crise de destino. É preciso restaurar a ética não apenas com palavras, mas com ações”, disse, ao defender uma “profunda reforma política no Brasil”. Ele argumentou que empresas financiam candidatos a fim de terem seus interesses defendidos pelos políticos, no que chamou de um “toma lá dá cá”.

Haddad começou sua fala cumprimentando Lula, que está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba desde abril, e elogiou o legado dos governos petistas. “Precisamos fortalecer as instituições que combatem a corrupção sem preferencia partidária. Individualizar os que cometeram ilícitos e punir exemplarmente”. Ele defendeu uma controladoria e uma polícia federal fortes e imparciais. “Temos que fortalecer as instituições doa a quem doer. O segundo aspectos é defender os mais pobres, defender a juventude (…) oferecer médico para quem não tem. Os programas sociais desenvolvidos pelo PT foram exitosos em fornecer dignidade para o povo”, completou.

O candidato pedetista, Ciro Gomes, atacou os governos desde a redemocratização e disse que o enfrentamento da corrupção no Brasil é dependente de duas frentes. “O primeiro é o exemplo (…) tenho a honra de completar 39 anos de vida pública e nunca respondi por nenhum malfeito. Não é vantagem, é obrigação (…) Segundo, temos que entender que estamos permitindo ciclo após ciclo, com PT e PSDB, que a cooptação dos deputados se dá pelo clientelismo. É preciso propor ideias antes para que o povo eleja ideias, redesenhar um pacto federativo e chamar o povo a participar através de plebiscitos e referendos.”

Já Álvaro Dias (Pode) seguiu sua linha, apresentada já em outras ocasiões, de defender o tema do combate à corrupção como o ponto central de sua campanha. Defendeu também o fortalecimento das instituições e eliminação de privilégios, especialmente o foro privilegiado. Henrique Meirelles (MDB) também falou sobre a importância de criação de instituições, estruturas de fiscalização. Marina Silva (Rede), por sua vez, avaliou que a corrupção no país é sistêmica e institucional e deve ser prioridade do governo o combate. Falou de Jesus e citou o papa Francisco na defesa da política com lisura. Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu uma reforma política e disse que quem enriquece como político é ladrão.

Na segunda parte do programa, apresentado da cidade de Aparecida, no interior de São Paulo, os candidatos realizaram perguntas entre si. Álvaro Dias, novamente, tocou no tema da corrupção. Boulos respondeu que “o sistema político brasileiro está podre porque o poder econômico prevalece sobre a política” e defendeu o fim do financiamento privado de campanha. Argumentou que o povo deve ser chamado a participar de forma mais direta do processo democrático, com plebiscitos e referendos, algo que Ciro Gomes já havia proposto. O candidato do Psol defendeu que tais instrumentos deveriam ser chamados para revogar as medidas tomadas pelo presidente Michel Temer (MDB), como a “reforma” trabalhista.

No confronto amistoso entre Ciro e Marina, eles se elogiaram sobre os programas de governo de seus partidos e defenderam ambos a quebra de patentes para remédios de alto custo, na primeira vez em que a corrupção saiu do foco.

PT x PSDB

Haddad questionou Alckmin sobre o posicionamento dele e de seu partido sobre a “reforma” trabalhista e a Emenda Constitucional 95, conhecida como PEC do Teto. O tucano disse que defendeu as propostas do governo de Michel Temer e aproveitou para atacar o PT. Mesmo defendendo propostas de Temer, Alckmin tentou se descolar da imagem impopular do emedebista.

Em resposta, o petista lembrou Alckmin que o projeto aplicado por Temer no país corresponde a projetos tucanos. “O serviço público durante o governo Temer e PSDB está degringolando. Quem colocou o Temer lá, com um programa diferente do da Dilma, aprovado nas urnas, foi o PSDB.” Haddad ainda citou a entrevista do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que fez mea-culpa sobre a fragilidade da política após o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, eleita em 2014. “Assumiu que sabotou o governo aprovando medidas que o próprio PSDB era contra.”

Por fim, o petista assegurou que, se eleito, revogará a “reforma” trabalhista, “que fragiliza o trabalhador frente ao empregador”. “Somos contra a terceirização que fragiliza o trabalho diante do capital, prática do PSDB. Contra o teto de gastos que impede investimentos em educação, saúde.”