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Dilma, sobre ataque: 'Isso não pode acontecer, quem fez tem de pagar'

Ex-presidenta esteve nesta quinta na sede da PF em Curitiba, e repudiou violência em campanha. Ela reafirmou ainda luta pela candidatura de Lula "até o fim"
por "Redação RBA publicado 06/09/2018 19h17, última modificação 06/09/2018 19h56
Ex-presidenta esteve nesta quinta na sede da PF em Curitiba, e repudiou violência em campanha. Ela reafirmou ainda luta pela candidatura de Lula "até o fim"
Joka Madruga
Dilma em Curitiba

'Temos de ser capazes de nesta eleição lavar e enxaguar a alma do Brasil. Temos de recompor nossa capacidade de diálogo'

São Paulo – A ex-presidenta Dilma Rousseff rechaçou, em Curitiba, o episódio violento da tarde desta quinta-feira (6), contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), que levou uma facada durante campanha em Juiz de Fora (MG). "Eu acho lamentável, e incentivar o ódio cria esse tipo de atitude. Você não pode falar que vai matar ninguém, não pode fazer isso, principalmente um candidato à presidência", ponderou.

"Agora, quem fez isso tem de pagar, não pode ficar impune. Tem de servir de exemplo para ninguém ousar fazer isso com um candidato. Isso não pode acontecer, um país democrático que se respeita e quer ser civilizado não pode admitir que se esfaqueie qualquer candidato à Presidência da República. Não interessa quem seja, não se admite isso. E nós não podemos flexibilizar certas coisas, porque senão vamos ter consequências danosas não só para os candidatos, mas para as crianças, para os jovens, para os homens e mulheres deste país."

Candidato ao Senado em Minas Gerais, visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Superintendência da Polícia Federal da capital paranaense desde 7 de abril. E rebateu críticas da imprensa comercial a uma “possível” demora em relação à substituição do nome de Lula pelo de Fernando Haddad na corrida presidencial.

“Enquanto tivermos o direito de recorrer, nós vamos recorrer. A hora que acabar esse direito nós vamos discutir o que faremos. O Lula vai ser tirado (da campanha) por algozes que vão ficar claros perante a história, porque eles não querem ficar com cara de algoz”, afirmou.

"Olha que situação estranha neste país: dão o golpe, e o Alckmin passa o tempo inteiro falando que o golpe é meu e do Temer e ele apoiou esse governo, enquanto eu tive o como vice, apenas, que até se chamou de decorativo. Agora, como presidente ele não foi decorativo, porque veja o caos que ele instaurou neste país", apontou.

"E o responsável é o PSDB. Eu achei fantástico o fato de que todos se escondem e hoje ninguém deu golpe no país. Estou até desconfiada de que não houve golpe, não sei o que faço aqui hoje (risos), porque em condições normais de temperatura e pressão eu estaria em Brasília", acrescentou Dilma.

Ela lidera as pesquisas para o Senado com 26% da preferência do eleitorado mineiro, segundo a mais recente pesquisa do Datafolha. O segundo colocado, Carlos Viana (PHS), aparece com 11%.

Ao sair da visita com Lula, ela tentou passar uma mensagem de otimismo. “Nós temos de ser capazes de nesta eleição lavar e enxaguar a alma do Brasil. Temos de recompor a nossa capacidade de diálogo”, disse na frente da sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso desde 7 de abril.

Dilma também voltou a falar do período de seu impeachment, em 2016. “Quando você planta o ódio, você colhe tempestade, isso é assim em qualquer lugar do mundo”, afirmou, “radicaliza, incentiva a perseguição, como a mídia fez no Brasil, a mídia fez isso comigo. Eu estava eleita quando nas bancadas da Rede Globo pediram o meu impeachment. ‘A solução é só o impeachment’, falavam, e eu vou mostrar isso em gravação no meu programa de tevê.”

“Eu lamento muito que essas coisas tenham acontecido, mas eu estou vendo uma energia muito boa no povo brasileiro. É uma energia de transformação, de esperança, e de quem quer resgatar a autoestima”, disse ainda.

Emoção

Ao ser indagada sobre o encontro com Lula, Dilma respondeu, emocionada, que em momento algum do processo de impeachment ela chorou. “Nunca eu chorei, e diziam que isso era porque ‘essa mulher é dura, é ruim, então, não chora’. Mas não é isso, eu não choro na frente do inimigo. Eu não chorei na cadeia, não chorei na minha tortura (aplausos), mas quando se trata do presidente Lula e da absurda, mas absurda...  Eu acho que é mais do que injustiça, porque não há injustiça maior do que condenar uma pessoa inocente. Então, com ele eu choro, eu lembro dele, eu choro."