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Aposta no ‘antipetismo’ e na direita pode ter limite no segundo turno

O presidente do Vox Populi, Marcos Coimbra, fala à TVT sobre o comportamento do eleitorado e as pesquisas de intenção de voto
Publicado por Redação RBA
08:46
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TVT / Reprodução
TVT Entre Vistas Vox Populi Eleições 2018

Marcos Coimbra, do Vox Populi, no Entre Vistas, da TVT: ‘Haddad se apresenta com uma campanha mais afirmativa, enquanto Bolsonaro é o candidato do não’

São Paulo – Pesquisa recente do Vox Populi posicionou Fernando Haddad (PT) à frente de Jair Bolsonaro (PSL), causando alguma polêmica e muito ceticismo, como lembra o apresentador Juca Kfouri logo no início do programa Entre Vistas, exibido na noite de ontem (25) pela TVT. O presidente do instituto, o sociólogo Marcos Coimbra, lembra que foi a primeira pesquisa a associar explicitamente Haddad como candidato apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até então o nome do partido para a disputa. “O eleitor tem o direito de saber. É um atributo importante”, justifica Coimbra.

Fizeram parte da bancada de entrevistadores, ao lado de Juca, a socióloga Marisol Recamán, da Fundação Perseu Abramo (FPA), e a psicóloga Edna Roland, especialista independente da Organização das Nações Unidas. A ONU é uma entidade cujas decisões nem sempre são respeitadas pelo Brasil, diz Juca, ironicamente, lembrando do posicionamento do Comitê de Direitos Humanos pela participação da Lula nas eleições.

Marisol fala sobre a polarização entre as duas principais candidaturas. Coimbra lembra que a “transferência” de votos, de Lula para Haddad, ainda não está completa e que é muito provável que o petista ainda cresça – a gravação do programa foi na semana passada. Mas acrescenta que se trata de um cenário “previsível desde o ano passado”.

“Quem quer que fosse o candidato do Lula, tenderia a chegar forte”, diz o presidente do Vox Populi, lembrando que com o ex-presidente haveria grande possibilidade de definição ainda no primeiro turno. Já o PSDB se enfraqueceu desde 2014, quando o senador Aécio Neves chegou à segunda rodada e perdeu por pouca diferença para Dilma Rousseff. Ele questiona a escolha de Geraldo Alckmin, mas admite: “Não sei se haveria um nome melhor”.

Para Coimbra, Haddad se apresenta com uma campanha “mais afirmativa”, enquanto Bolsonaro “é o candidato do não”. 

Edna trata do crescimento da direita nas eleições. “É um fenômeno mundial. Não é uma particularidade brasileira”, afirma Coimbra. A novidade do Bolsonaro não é o fato de ser um candidato de extrema-direita. O antipetismo sempre foi muito fundado na negação. Bolsonaro chegou como expressão do antipetismo.” Segundo ele, aproximadamente um terço do eleitorado é hostil ao PT.

Ao ressalvar que sempre houve eleitorado de direita no Brasil, o sociólogo identifica um “segundo movimento”, que foi atingir outras parcelas do antipetismo. Mas ele vê limites nesse processo. “Essa aposta na extrema-direita o levaria (Bolsonaro) ao segundo turno. Hoje, num cenário de segundo turno, a possibilidade de dar certo é questionável.”

Direita popular

Outra novidade está no fato de o candidato do PSL ser “o primeiro candidato de direita popular”, identificado como alguém “do povo”. “Existe uma possibilidade, que não é irrelevante, de receber mais votos populares. É a primeira vez que a direita oferece ao eleitorado um nome de raiz popular.” Bem diferente, por exemplo, de Aécio, que “o eleitor popular de direita teve de engolir”. Já Bolsonaro é visto como alguém próximo, que “fala bobagem, é inculto, às vezes extrapola”.

De alguma forma, ele também explora politicamente uma certa percepção, entre setores da sociedade, de que as políticas afirmativas são “uma das causas do empobrecimento”. É como se o Estado de bem-estar tirasse de alguns para colocar nas mãos “de quem não merece”. Marisol observa que, até há pouco tempo, a percepção predominante era oposta, de quem havia um “Estado a favor”, que possibilitava a ascensão social.

Juca pergunta se é verdade que as pessoas tendem a votar em quem está em primeiro nas pesquisas, e o presidente do Vox Populi diz que não, lembrando que são 13 candidatos e que ninguém deixará de votar no Cabo Daciolo, por exemplo. Sobre pesquisas feitas por telefone, em uma eleição como a atual, ele considera “pouquíssimo provável que reflitam o pensamento médio”. 

O apresentador, então, lembra de uma sensação que constantemente vem à tona em época de eleição. São aqueles que contam nunca terem sido entrevistados por algum instituto. O que dizer a eles? “Sua hora chegará”, diz Coimbra, para risos gerais.

Existe manipulação em pesquisas eleitorais?, questiona Juca. “Não conheço país onde existem tantas regras para divulgação de pesquisa. Questionário, quem pagou, conferência bancária… O risco de manipulação é um dos mais baixos do mundo. O eleitor brasileiro não precisa se preocupar com isso.”

Assista o programa  na íntegra: