Em Recife

Apoiadores de Bolsonaro comparam mulheres que não votam nele a ‘cadelas’

Grupo fez paródia do funk Baile de Favela para ofender aquelas que se mobilizam contra o candidato do PSL. Manifestações estão previstas para o próximo sábado (29)

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Marcha da Família com Bolsonaro teve discurso de ódio contra mulheres que não apoiam o candidato

São Paulo – Uma marcha em apoio ao candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) teve como hino uma paródia da música Baile de Favela, do funkeiro MC João. A letra compara a cadelas as mulheres que se opõem ao político e vêm se articulando nas redes sociais utilizando a hashtag #elenão. “Para as feministas, ração na tigela. As minas de direita são as top mais belas, enquanto as de esquerda têm mais pelo que as cadelas”, diz um trecho da letra. O ato, chamado Marcha da Família com Bolsonaro, foi realizado na tarde de ontem (23), em Boa Viagem, Recife (PE). O vídeo pode ser conferido na página do Jornal do Comércio.

A música ainda cita outras mulheres com atuação política como Maria do Rosário (PT), Jandira Feghali (PCdoB) e Luciana Genro (Psol), sempre de maneira depreciativa. Religiosos e militantes do movimento Vem Pra Rua participaram do ato.

A Comissão da Mulher Advogada (CDMA) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) publicou uma nota de repúdio contra a música cantada em Pernambuco. Segundo o texto, a canção reduz as mulheres à condição análoga de “seres irracionais e incitam o ódio, a violência e o preconceito” contra aquelas que se reconhecem feministas e/ou que têm orientação política do candidato de extrema-direita.

A nota completa que a música fica mais grave num país em que, a cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal. “Não se pode admitir que, sob o manto da liberdade de expressão, qualquer partido político, seja ele de direita ou de esquerda, ofenda publicamente uma coletividade de mulheres, reforçando a cultura machista e misógina que, infelizmente, ainda insiste em matar muitas mulheres todos os dias”, finaliza.

Mulheres têm se mobilizado nas redes contra os posicionamentos machistas dos candidatos há duas semanas. Um grupo que se opõe ao candidato no Facebook chegou a reunir dois milhões delas e foi hackeado, tendo seu nome alterado por apoiadores do candidato.

Na última sexta-feira (21), o Facebook registrava 109 eventos para esta data em diversas capitais brasileiras, além de outras dezenas de cidades do interior em vários estados e até do exterior, como Lisboa, Porto e Coimbra (Portugal), Berlim (Alemanha),  Lyon (França), Galway (Irlanda), Barcelona (Espanha), Sidney e Gold Coast (Austrália), Londres (Inglaterra) e Haia (Holanda), entre outras.

Embora “Mulheres contra Bolsonaro” seja o principal mote, as manifestações são apoiadas por pessoas de todos os gêneros, com milhares de homens confirmando presença ou apoiando o protesto. A questão de gênero, forte quando o assunto é o político que se tornou conhecido pelos ataques à dignidade e aos direitos das mulheres, comunidade LGBT, indígenas e quilombolas, entre outros, ainda é predominante nos protestos. Mas começam a surgir outros chamando a “todos contra Bolsonaro”.

O ato organizado para o Largo da Batata, em São Paulo, contará com o ato Religiosas e Religiosos contra Bolsonaro, organizado pelas Católicas pelo Direito de Decidir, e Pelos Animais contra Bolso.Naro, da Bancada Vegana, entre outros. Em Belo Horizonte, a Praça 7 de Setembro vai receber, às 15 horas, o ato Todos contra Bolsonaro. Na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, também haverá protestos de diversos grupos ao longo do dia.