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Ana Amélia evita falar sobre voto em Bolsonaro. Manuela clama contra fascismo

Vice de Alckmin se esquiva de declaração de que votaria em 'qualquer um' contra o PT. Evento promovido por 'El País' e Locomotiva teve também Kátia Abreu e Sônia Guajajara
Publicado por Redação RBA
12:39
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Poucas agressões diretas e pontos em comum entre candidatas marcaram o início do debate

São Paulo – A senadora Ana Amélia (PP-RS), candidata a vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa presidencial, esquivou-se a responder a uma pergunta sobre um possível voto no candidato do PSL, Jair Bolsonaro, em eventual segundo entre ele e Fernando Haddad (PT). A questão foi apresentada depois de a senadora ter dito que vota em qualquer um contra o PT, nos bastidores do debate Mulheres na Política.

O evento, que reuniu as quatro candidatas mulheres a vice – além de Ana Amélia, Manuela D’Ávila (PCdoB), Sônia Guajajara (Psol), Kátia Abreu (PDT) –, foi promovido pelo site El País e pela agência Locomotiva. E ocorreu na manhã desta sexta-feira (28), um dia depois de ter sido noticiado que o PP do Rio Grande do Sul, integrante do chamado “centrão” que compõe a coligação de Alckmin, ter declarado que deixaria o barco do tucano para apoiar o ex-militar. 

Ana Amélia –que já havia apoiado no plenário do Senado as agressões promovidas por bolsonaristas contra a caravana dos ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela região Sul, em fevereiro – se esquivou. Não respondeu à pergunta, e apenas “garantiu” que sua chapa estará no segundo turno.

Foi o momento mais quente do debate. Manuela, vice de Haddad, fez uma fala dura em oposição ao fascismo e ao candidato extremista. “Esse candidato, o ‘coiso’, para além de antidemocrático, não tem compromisso algum com a igualdade. Um candidato que defende surra corretiva para LGBTs, que diz que mulheres negras são prostitutas, que diz que mulheres podem ser estupradas dependendo de suas características físicas, que diz que mulheres criam filhos desajustados. Ele é inimigo das mulheres, por isso ele não, ele nunca”, afirmou, arrancando aplausos das presentes.

Durante o diálogo, as quatro debatedoras apontaram questões que consideram relevantes para as mulheres, que somam 53% do eleitorados do país, mas são apenas 10% na Câmara dos Deputados, por exemplo, o que escancara a sub-representação feminina no Congresso. 

Ana Amélia destacou o desequilíbrio salarial entre homens e mulheres, mas afirmou que a questão mais importante é o combate à violência contra a mulher, já que o país ocuparia, segundo ela, a sétima posição entre os países com mulheres vítimas de agressão.

Ela também ressaltou a baixa representação na política, mas ressaltou que a participação de quatro mulheres como candidatas a vice e duas candidatas à Presidência representava avanço que devia ser celebrado. Na sequência, Kátia Abreu, vice de Ciro Gomes, disse que são as mulheres “as primeiras responsáveis” pela pouca presença das mesmas no Parlamento. 

Manuela afirmou que as mulheres não podem retroceder em nenhum direito. “Para trás, só para pegar impulso”. Ela destacou que as mulheres “trabalham mais e são menos remuneradas”, e lembrou que a renda de uma mulher negra é quase a metade do que ganha um homem branco. Manuela defendeu a retomada dos direitos dos trabalhadores e afirmou que, com a reforma trabalhista, “o trabalho mais precarizado vai ser das mulheres”.

Sônia Guajajara, vice de Guilherme Boulos (Psol), lamentou a pouca presença das mulheres na política, mas destacou ainda mais a falta de diversidade. “Ainda falta a presença da mulher indígena, da mulher travesti, da mulher LGBT”, que são ainda mais invisibilizadas, segundo ela, que é a primeira indígena candidata numa eleição presidencial no Brasil.   

O debate seguiu de uma forma distinta do que é comumente visto nos encontros dos presidenciáveis. Poucas agressões diretas e pontos em comum entre candidatas, mesmo por vezes posicionadas em diferentes espectros políticos.

Manuela, ao responder sobre o empoderamento das mulheres, argumentou que este é “o tempo de união da luta” das mulheres. “Tudo que conquistamos foi com muita resistência e luta. Vivemos algo novo que é a ideia de unidade e solidariedade entre as mulheres e os diferentes feminismos.”