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Sabatina de Alckmin no ‘Jornal Nacional’ exclui merenda e aliança com Temer

Sem conseguir sair da defensiva, tucano falou de acordo com Centrão e prometeu 'emprego na veia' com obras e 'cana dura' para bandidos, apesar de presença de facção criminosa em São Paulo
Publicado por Redação RBA
07:53
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Reprodução
Alckmin JN Eleições 2018

Tucano na Globo apresentou-se como ‘candidato das oportunidades’ e reformas, sem citar aliança com Temer

São Paulo – Questionado sobre denúncias de corrupção, crime organizado e alianças, o candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, passou boa parte dos quase 30 minutos de entrevista se esquivando no Jornal Nacional, na noite desta quarta-feira (29). Para o ex-governador, que não decola nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente da Dersa Laurence Casagrande, preso sob acusação de superfaturamento em obras do Rodoanel, foi “injustiçado”.

Segundo o portal da revista Fórum, Alckmin foi bem menos interrompido pelos apresentadores Willian Bonner e Renata Vasconcellos em relação aos entrevistados anteriores, Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT): 17 vezes, ante 36 e 34, respectivamente. Ainda assim, não conseguiu sair da defensiva, mesmo tendo ao final se apresentado como o candidato “da oportunidade”.

Sua última fala foi sobre o “país de oportunidades para todos”. “O Brasil tem pressa, precisa mudar. Para mudar, precisa de reformas. E nós vamos fazer rápido”, disse Alckmin, que não foi questionado sobre a aliança de seu partido com o governo Michel Temer, responsável por “reformas” como a trabalhista e a emenda constitucional de congelamento de gastos públicos. O escândalo da merenda no estado de São Paulo também não foi mencionado.

Hoje, o JN vai entrevistar Marina Silva, da Rede. No início do telejornal, Bonner disse que o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, está em primeiro lugar na pesquisa Datafolha, mas “não pode dar entrevistas por determinação da Justiça”.  

Discurso “coerente”

Bonner perguntou ao tucano se defender Casagrande era coerente com o discurso anticorrupção do candidato. “Absolutamente coerente”, respondeu Alckmin, considerando o ex-presidente da Dersa um “nome sério, correto”, responsável por uma “belíssima obra” na empresa, e dizendo esperar o mesmo espaço (na mídia) quando ele for “inocentado”. Segundo o ex-governador, o que houve foi um questionamento quanto a certo volume de rochas em um trajeto do rodoanel, e uma junta de arbitragem foi formada, como previa o contrato. 

Os entrevistadores quiseram saber por que Alckmin, atual presidente do PSDB, não tomou medidas contra o senador Aécio Neves (MG), agora candidato a deputado federal, réu no Supremo Tribunal Federal (STF), e também contra o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, que está preso. “Aécio não foi condenado. Ele está sendo investigado. Vai responder para a Justiça. Não passamos a mão na cabeça de ninguém. Azeredo já está afastado da política há muito tempo. Aliás, ele vai sair do PSDB. Não precisa nem expulsar”, reagiu.

Sobre Paulo Vieira, o “Paulo Preto”, apontado como operador de propinas e contribuições ilegais para o PSDB, Alckmin disse que quando ele assumiu o governo estadual o engenheiro já não estava mais na Dersa.  

Outra pergunta foi sobre a aliança com o apoio do PSDB ao senador e ex-presidente Fernando Collor, do PTC, em Alagoas. “O PTC não me apoia”, disse Alckmin. “Seu partido apoia (Collor)”, rebateu a apresentadora Renata Vasconcellos. O tucano disse então que se trata de uma “questão local”.

O acordo com o chamado Centrão, bloco parlamentar conservador que tem 41 investigados na Operação Lava Jato, foi outro objeto de questionamento. Alckmin respondeu que todos os partidos têm “bons quadros” e que um presidente não consegue governar sem alianças. “Quem é investigado vai responder por isso”, afirmou.

“A maior facção criminosa do Brasil nasceu em São Paulo”, disse Renata, em outro tópico do programa perguntando no que a política de segurança do então governador falhou. Segundo Alckmin, sua política “é um exemplo”, citando a redução do número de assassinatos no estado.

Controle total

“Quando o Fernandinho Beira-mar, que é daqui do Rio de Janeiro, o governo não tinha onde colocá-lo, nós em São Paulo já tínhamos três penitenciárias de segurança máxima. Eu apanhei muito. (Ele) ficou dois anos lá e desapareceu”, disse o ex-governador, afirmando ainda que o estado tem 228 mil presos, 35% da população carcerária. Prometeu “cana dura” e mudança na Lei de Execuções Penais, para “acabar com essa saidinha toda hora”.  

Alckmin negou repetidas vezes que os líderes da facção criminosa atuem nas cadeias. “Isso aí são coisas que vão sendo repetidas e acabam virando verdade. (…) Nós temos scanner, nós temos controle, nós temos penitenciária de segurança máxima, antes do governo federal. Tem regime disciplinar diferenciado, isolamento absoluto, tanto é que nós reduzimos…”

O modelo de gestão para a saúde também foi comentado. Para Alckmin, as OSs (organizações sociais) são “um modelo”, passando ao largo de questionamentos do Tribunal de Contas. Contratos entre OSs também são objeto de investigação na Assembleia Legislativa paulista. Segundo o ex-governador, o hospital mais bem avaliado do país é o Instituto do Câncer, um OS. “Aliás, essa é uma discussão que nós temos muito com o PT e com a esquerda radical, porque eles dizem: ‘tem que ser estatal’. Nós dizemos: ‘tem que ser público’”, afirmou. O ex-governador disse ainda que essas organizações são “permanentemente monitoradas”. 

Os jornalistas questionaram as ações do governador Alckmin em mobilidade urbana e moradia. Ele respondeu já ter entregue vários trechos do rodoanel e que entrou no governo com 60 estações do metrô e terminará o ano com 89, com quatro inaugurações na próxima sexta-feira (31), “em plena crise, sem um centavo de ninguém”. Declarou que São Paulo é o único estado que emprega 1% do ICMS para moradia e que todos os estados enfrentam o problema do déficit habitacional. E prometeu fazer um “grande canteiro de obras” no país, incluindo infraestrutura, porque isso significa “emprego na veia”.