Eleições 2018

Lideranças do PT se manifestam em apoio a Marília Arraes

Wadih Damous e Tarso Genro consideram que acordo costurado por PT e PSB que retira candidatura de vereadora ao governo pernambucano é um erro político contra quadro renovador do partido

Reprodução/Facebook
Marília Arraes

“Seguimos em frente porque sabemos que estamos do lado certo da história”, escreveu Marília no Facebook

São Paulo – O acordo fechado entre PT e PSB não foi bem recebido por setores petistas que defendem a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco. “A decisão pro PSB em Pernambuco dói na minha alma e na alma da militância. Em nome de um acordo regional, afasta-se uma liderança promissora como Marília Arraes. Um grave erro político”, escreveu no Twitter o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ).

Marília declarou na noite de quarta-feira (1º), após a confirmação do acordo, que não vai desistir de candidatura e manifestou a crença de que o recurso remetido ao diretório nacional para reverter a decisão da executiva nacional será acolhido. A executiva decidiu retirar a candidatura de Marília por 17 votos a 8. A apreciação do recurso contra a decisão deve acontecer nesta sexta-feira (3) em reunião do diretório.

Hoje (2), pelo Facebook, a vereadora do PT de Recife reafirmou sua posição. “O apoio à nossa luta continua chegando dos quatro cantos do País”, escreveu. “Seguimos em frente porque sabemos que estamos do lado certo da história.”

Com o acordo e a retirada do nome de Marília, a candidatura à reeleição do governador Paulo Câmara (PSB) é beneficiada. Se confirmada, tira de seu caminho uma forte concorrente pelos votos de centro-esquerda.

O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro é outra liderança do partido que se manifestou de maneira enfática na defesa de Marília Arraes. “Peço a Deus e às forças do além que eu não esteja entendendo bem que foi feito um acordo PT-PSB que descarta a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco, o grande quadro renovador da esquerda do Nordeste”, disse.

A filósofa e professora Márcia Tiburi, que se filiou ao PT em março para concorrer ao governo do Rio de Janeiro, também se manifestou nas redes sociais em defesa da candidatura  petista em Pernambuco. “Declaro total apoio à Marília Arraes. Acabei de falar com ela e estaremos juntas a partir do que ela decidir”, prometeu.

Na noite desta quarta, o PT confirmou Márcia como candidata ao governo fluminense, em convenção na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio. Lindbergh Farias será candidato à reeleição para uma cadeira no Senado.

Dentro do PT,  vozes que questionam o acordo com o PSB lembram, por exemplo, que o partido votou pelo impeachment de Dilma Rousseff, em detrimento do PDT de Ciro Gomes, que se posicionou contra a derrubada da presidenta eleita.

Em entrevista coletiva na noite de ontem, Marília manifestou incredulidade e surpresa com a aliança. “Estamos vivendo uma guerra de nervos há alguns meses com o grande esforço que o PSB tem feito para evitar que o PT tivesse candidatura própria”, disse. Segundo ela, o acordo é fruto de “esforço feio dentro de gabinetes, sem diálogo com a  base e com a militância.”

Ela lembrou que, há um ano, o diretório estadual definiu que o PT teria candidatura própria. “E politicamente nada mudou. Temos em Pernambuco um governo ruim e um governador extremamente desgastado, com um grupo político acéfalo que não sabe para onde vai”, criticou, em referência ao chefe do Executivo pernambucano, Paulo Câmara.

“Resgate do PSB”

Em nota divulgada hoje, a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, afirma que resgatar aliança com o PSB é parte de uma estrategia nacional. “Essa ala do PSB (Ricardo Coutinho, Paulo Câmara, Capiberibe) tirou a direita do partido, e colocou o PSB contra a reforma trabalhista, a EC 95, a entrega da Petrobras e a privatização da Eletrobras”, diz a mensagem.

A senadora argumenta que a recomposição de uma frente política de esquerda no país é condição para o enfrentamento ao golpe e observa que o PCdoB, um dos partidos que compõe essa frente, e que ontem ratificou candidatura de Manuela D’Ávila, “via o entendimento com o PSB como condição para construirmos uma unidade do campo”.

Gleisi afirma que a direção nacional do PT nunca escondeu “do PT de Pernambuco, dos movimentos sociais e de Marília” a discussão dessa estratégia. “Esse movimento é o recomeço da frente de esquerda no país, buscando resgatar um partido que historicamente esteve do nosso lado. Sem a eleição de Lula e a construção de um campo político nacional progressista e popular não recuperaremos o país.”