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Greve de fome pela liberdade de Lula medirá como STF trata o povo, diz frei Sérgio

"Eu não acredito que não tenha entre os 11 ministros (do STF), seis com coração, com sensibilidade social e com respeito à Constituição", afirma o frei franciscano Sérgio Görgen
por Redação RBA publicado 01/08/2018 14h45, última modificação 01/08/2018 17h03
"Eu não acredito que não tenha entre os 11 ministros (do STF), seis com coração, com sensibilidade social e com respeito à Constituição", afirma o frei franciscano Sérgio Görgen
MST
greve de fome

Os manifestantes defendem que o STF cumpra a Constituição e o direito do povo escolher o próximo presidente

São Paulo – Os manifestantes que protocolaram nessa terça-feira (31) um manifesto no Supremo Tribunal Federal (STF) e iniciaram greve de fome pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, farão novo ato diante da corte nesta quarta-feira (1º). Integrantes de movimentos populares do campo e da cidade, os ativistas prometem manter a greve de fome por tempo indeterminadoLula está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde 7 de abril.

"Nós somos movidos por esperança, o povo brasileiro é movido por esperança. Vamos superar essa situação de caos que a burguesia nos jogou, isso vai ser superado. Eu não acredito que não tenha entre os 11 ministros (do STF), seis com coração, com sensibilidade social e com respeito à Constituição. Seis ministros para superar esse grande impasse em que o país está jogado”, afirmou o frei franciscano Sérgio Görgen, que está acompanhado na greve de fome por Rafaela Alves, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Jaime Amorim,  Zonália Santos e Vilmar Pacífico, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, da Central de Movimentos Populares (CMP). 

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Para frei Sérgio, a greve de fome é uma espécie de “termômetro” que medirá a forma como o Judiciário trata a população brasileira. “A greve traz a fome que o povo está sentindo, o desemprego e o desespero que o povo está sentindo, e transformamos num termômetro. O jeito que o Supremo nos tratar é o jeito que o Judiciário vai tratar o povo, mas o povo é mais forte que o Judiciário, é a origem do poder. Ele é o dono verdadeiro da Constituição, eles (os ministro do STF) são servos da Constituição e devem cumprir o serviço de não violar aquilo para o qual foram colocados aqui no Supremo Tribunal Federal.”

Segundo ele, é responsabilidade do STF colocar o Brasil “nos trilhos”. “Eu tenho muita esperança, nosso povo tem muita esperança. Nosso gesto talvez motive outros a também manifestarem sua indignação para que o Judiciário coloque o país nos trilhos, e ele mesmo entre nos trilhos”, afirmou frei Sérgio.

Nesta terça-feira (31), após protocolarem o documento, os manifestantes chegaram a ser agredidos pela polícia do Judiciário enquanto respondiam à imprensa sobre os motivos e objetivos da greve de fome. Mais tarde, passaram a noite no Centro de Acolhida Assunção e, nesta quarta-feira (1), se deslocaram para o Centro Cultural de Brasília (CCB), onde devem permanecer durante todo o período da greve de fome.

“É um direito de todo cidadão brasileiro lutar por seus direitos. Portanto, os militantes que estão aqui fazendo greve de fome, com risco da sua própria vida, e os demais que dão apoio, estão exercendo o legítimo direito previsto na Constituição. É o direito de liberdade de opinião, o direito de reivindicar e, finalmente, dizer que os direitos previstos na Constituição não estão ali para serem rasgados, estão ali para serem respeitados, seja pelo poder Executivo, Legislativo ou Judiciário. Aliás, pelo poder Judiciário, com mais razão ainda do que os demais poderes”, afirma Marcello Lavenère, advogado e ex-presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e que esteve presente no início do ato diante do STF.

O ato extremo é organizado pelos movimentos sociais que integram a Via Campesina Brasil e integram a Jornada Nacional de Lutas pela Democracia e a libertação do ex-presidente Lula. Outros movimentos se somam nesta construção, a exemplo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Levante Popular da Juventude e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).