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Para Lula, ingerência de empresas norte-americanas no Brasil cresce com Trump

Ex-presidente recebeu, no cárcere em Curitiba, o líder do MST João Pedro Stédile e o ex-presidente do PT Rui Falcão. Mostrou-se preocupado com a política externa brasileira e reafirmou sua candidatura
por Redação RBA publicado 05/07/2018 19h50, última modificação 05/07/2018 19h53
Ex-presidente recebeu, no cárcere em Curitiba, o líder do MST João Pedro Stédile e o ex-presidente do PT Rui Falcão. Mostrou-se preocupado com a política externa brasileira e reafirmou sua candidatura
Eduardo Matysiak
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Stédile e Falcão após visita a Lula na PF, em Curitiba: segundo eles, ex-presidente continua 'animado' para disputar eleições

São Paulo – Ao receber na tarde desta quinta-feira (5) a visita do ex-presidente do PT Rui Falcão e do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) João Pedro Stédile, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apreensão com a política externa brasileira. Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal do Paraná desde 7 de abril, por condenação do âmbito da Operação Lava Jato no caso do triplex de Guarujá. “Apesar da terrível injustiça praticada contra o presidente, Lula está muito preocupado com o país”, disse Falcão.

Entre os comentários de Lula, segundo Falcão e Stédile, está a questão da condução da política externa brasileira. Em recente visita do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o ex-presidente já havia demonstrado atenção ao tema. “Ele acredita que há uma ingerência cada vez maior dos interesses das empresas norte-americanas na manipulação do governo golpista e também dos empresários brasileiros”, disse o líder do MST. “Para Lula, a política do Trump (presidente Donald Trump, dos Estados Unidos) tem sido mais agressiva na América Latina”, acrescentou.

Lula também voltou a criticar a postura do Judiciário em relação a sua condenação, que classifica como sem provas e uma prisão política. Stédile abriu aspas para uma fala direta do ex-presidente sobre o tema: “Comportando-se desse jeito, esse poder Judiciário não merece mais o respeito de ninguém. Ele tem que recuperar sua postura de um poder que respeitava a Constituição, que garantia o direito das pessoas”. Para o líder do MST, o ex-presidente “desafiou os juízes para que garantam seu direito de defesa. Também desafiou Sérgio Moro (juiz de primeira instância de Curitiba responsável pela Lava Jato no Paraná) a apresentar uma prova sequer sobre o apartamento”.

Ambos reafirmaram a boa disposição de Lula para ser candidato à Presidência. “Em vez de nós confortarmos ele, ele quem nos conforta. Está muito animado e disposto (…) Em primeiro lugar, ele disse que é candidato. Não apenas pela disposição, mas porque o povo quer isso. Também, centenas de juristas estão garantindo que ele pode ser”, disse Falcão, que relatou ter entregue ao ex-presidente um livro do político norte-americano Henry Kissinger. Já Stédile entregou uma biografia de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal atuante contra a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985).

Manifestações pelo país

Lula tomou conhecimento de uma agenda de mobilizações – entre as ações, um abaixo-assinado para ser concretizado até 15 de agosto, dia da inscrição dos pré-candidatos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), endereçado à presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia. “Para que ela crie vergonha, respeite a Constituição e coloque em votação a ação direta de constitucionalidade que deve julgar o mérito de se uma pessoa deve ficar presa mesmo não tendo sido julgada em todas as instâncias, como é o caso do Lula”, afirmou o líder sem-terra.

“Faremos mobilizações em Brasília e em todo o Brasil perto do dia 25 de julho. Estaremos nos fóruns para protestar contra as manipulações do Judiciário. Então, conclamo a militância, também nos municípios, PT, Via Campesina, MST, movimentos populares, para que coletem assinaturas e compareçam aos fóruns. No dia 28 de julho, está em curso a preparação de um grande festival por Lula livre no Rio de Janeiro”, acrescentou Stédile.

Outro ponto de destaque nas mobilizações é uma greve de fome programada para 31 de julho. “Vamos começar essa greve em Brasília em protesto contra os abusos do Judiciário, em especial da Cármen Lúcia, do Edson Fachin (ministro do STF relator da Lava Jato) e também dos juízes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que até agora não respeitaram o rito do Judiciário.” O tribunal foi responsável pela condenação de Lula na segunda instância.

“No dia 26 de julho, sairá uma caravana de Pernambuco, do povo do semiárido em defesa do Lula. Virão até Curitiba, devem chegar por volta do dia 1º a 7 de agosto. No dia 7 de agosto faremos um grande ato inter-religioso com todas as pessoas que se manifestam por sua fé em Brasília, na frente do STF, com a presença do Adolfo Pérez Esquivel (argentino, ganhador do Prêmio Nobel da Paz). Vamos fazer uma marcha a Brasília do dia 10 ao dia 15 até o TSE. Participaremos de um ato nacional para registrar a candidatura do Lula com milhares de pessoas”, completou Stédile.