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Na gestão Temer, Ministério do Trabalho vive tempos de improviso

Depois de passar meses tentando emplacar Cristiane Brasil, governo vê interino, ligado ao PTB, ser afastado por decisão do STF. Ministro põe cargo "à disposição", e Marun reage a acusações
por Redação RBA publicado 05/07/2018 14h26, última modificação 06/07/2018 09h43
Depois de passar meses tentando emplacar Cristiane Brasil, governo vê interino, ligado ao PTB, ser afastado por decisão do STF. Ministro põe cargo "à disposição", e Marun reage a acusações
Reprodução Facebook
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Ministro interino-efetivo de Temer agora foi afastado pelo Supremo e está sendo investigado pela PF

São Paulo – Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro do Trabalho, Helton Yomura, foi afastado nesta quinta-feira (5) para investigações relativas à Operação Registro Espúrio, sobre registro de entidades sindicais. Segundo a Polícia Federal, Yomura – que pediu demissão e será substituído – é um "testa de ferro" do PTB, partido que controla a pasta desde o início da gestão Temer. Neste ano, o governo conseguiu a façanha de não conseguir efetivar um ministro do Trabalho. Também citado na investigação, o ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo, falou em "conspiração" contra ele. 

Desde que o deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS) anunciou sua saída, no final de 2017, para se dedicar à reeleição, o Planalto acumulou fracassos para substituí-lo. À época, o nome escolhido foi da também deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha de Roberto Jefferson, após acordo entre o cacique petebista e Temer. Mas sucessivas derrotas judiciais fizeram o governo "desnomear" Cristiane.

Se a filha não emplacou, Jefferson manteve sua influência no ministério com Yomura. Para a polícia, ele estava lá para dar continuidade à ingerência da própria deputada e também do presidente nacional do PTB. Em nota, o petebista afirmou que não participou de esquema algum e disse apoiar as investigações. 

Já o ministro agora afastado disse ter adotado "rigorosas providências institucionais para a garantia do interesse público", citando exoneração de servidores, sindicância interna e abertura de processos administrativos. Ele disse não ter cometido nenhum ato ilícito. No final do dia, encaminhou carta a Temer pondo o cargo "à disposição", para que o ministério não fique "acéfalo".

Nesta fase da operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete do deputado Nelson Marquezelli (SP), vice-líder do PTB e empresário do setor agrícola. "Nada a temer", declarou. Um assessor do deputado ruralista foi preso – em seu apartamento, agentes encontraram R$ 95 mil em espécie.

O único efetivo no Ministério do Trabalho foi mesmo Ronaldo Nogueira, que cumpriu a missão de efetivar a "reforma" trabalhista, aprovando no Congresso o projeto que se tornou a Lei 13.467, em vigor desde 11 de novembro. Um texto apelidado pelo governo de "modernização". A lei sofre ressalvas da Justiça do Trabalho e questionamentos da Organização Internacional do Trabalho (OIT).