'Robôs'

Mais de 60% dos seguidores de Alvaro Dias no Twitter são perfis falsos

Alckmin (46%), Marina Silva (36%) e Bolsonaro (34%) também aparecem com destaque entre os pré-candidatos com maior percentual de bots entre os seus seguidores

Moreira Mariz/Agência Senado
Alvaro Dias Twitter

Perfis falsos podem servir para manipular e radicalizar debates, além de criar falsas percepções sobre candidatos

São Paulo – Estudo realizado pelo Instituto InternetLab aponta que dentre os seguidores do pré-candidato Alvaro Dias (Podemos) no Twitter, em torno de 64% são perfis falsos, também conhecidos como bots ou robôs. Atrás de Dias, os pré-candidatos com o maior índice de perfis falsos entre os seguidores são Geraldo Alckmin (PSDB), com 46%, Marina Silva (Rede), com 36%. Pelo menos um em cada três (34%) perfis que formam a audiência de Jair Bolsonaro (PSL) também é um robô. 

Na outra ponta, o pré-candidato Guilherme Boulos (Psol) é o que têm o menor percentual (14%) de seguidores falsos, seguido por João Amoêdo (Novo). Manuela D’Avila (PCdoB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm 22% de robôs entre os perfis. Henrique Meirelles (MDB), Flávio Rocha (PRB) e Ciro Gomes (PDT) têm entre 24% e 32% de seguidores não autênticos.

A coleta de dados no Twitter foi realizada entre os dia 4 e 28 de junho de 2018, e os perfis falsos identificados por meio da ferramenta Botometer, combinada a outros algoritmos. Esses perfis falsos, ou bots, têm a função de alavancar a audiência das páginas artificialmente e, em contextos de disputas eleitorais, “podem ser empregados dessa forma para distorcer a dimensão de movimentos políticos, manipular e radicalizar debates, e criar falsas percepções sobre disputas e consensos nas redes sociais”, aponta o relatório do InternetLab.

Apesar de causarem deformações importantes no debate político virtual, não é possível afirmar que os pré-candidatos adquiriram os seguidores ilicitamente, segundo o Instituto, que também lembra que o Brasil hospeda o 8º maior número de bots do mundo. O fenômeno também não é novo, e foi percebido por aqui pelo menos desde 2011.