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Eleições 2018

Presidenciáveis hesitam na escolha dos vices

“A imprevisibilidade sobre quem vai para o segundo turno ajuda a explicar as hesitações', diz analista. Políticos procuram opções diante da insatisfação da população em relação aos partidos
Publicado por Eduardo Maretti, da RBA
19:53
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Reprodução Youtube
Maria do Socorro Sousa Braga

“O papel do vice também está desgastado”, diz cientista política

São Paulo – A indefinição dos postulantes ao Palácio do Planalto na escolha de seus vices para as chapas que concorrerão nas eleições é determinada por dois fatores. Por um lado, a conjuntura política do país passa por uma situação inédita, que se prolonga desde o impeachment de Dilma Rousseff até a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além do fator Lula, há uma insatisfação muito grande da população em relação aos partidos, desgastados, que estudam muito bem o cenário antes de definir uma posição.

“A elite política pensa em quem poderia ajudar a ter melhor posicionamento diante dessa conjuntura. Um fator importante vem da articulação dessas elites partidárias num momento de grande ‘baixa’. O papel do vice também está desgastado. Com isso tudo, há também dificuldade em atrair um apoio explícito”, diz a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Como fator preponderante no atual jogo de dissimulações, conversas e estudos, está a questão da candidatura do ex-presidente. “Com a dúvida sobre se ele vai ou não ser candidato, o quadro ficou instável. Apoios e chapas têm muito a ver com a candidatura ou não do Lula. Se ele for candidato, é um cenário. Se não for, o quadro fica mais imprevisível”, avalia. “Se a candidatura já fosse clara, evidentemente isso ajudaria na escolha dos vices. A imprevisibilidade sobre quem vai para o segundo turno ajuda a explicar as hesitações.”

Para ela, sendo candidato, o petista “já está no segundo turno”. Mas quem seria a outra força? “Aparentemente, Bolsonaro tem mais chance, mas ninguém o apoia.” 

O empresário Josué Alencar (PR), filho do ex-vice de Lula José Alencar, foi cortejado pelo tucano Geraldo Alckmin e pelo próprio PT, com o qual ele comporia uma chapa de vice na campanha à reeleição do governador petista Fernando Pimentel, de Minas Gerais.

Após rejeitar ser vice de Alckmin, Josué Alencar teria um encontro na tarde desta terça-feira (24) com o governador petista, mas a reunião foi adiada. Segundo a campanha do petista, “é certo que o Partido da República em Minas Gerais irá apoiar a candidatura de Pimentel, mas os dois preferiram aguardar as definições do quadro político mineiro”.

Especulações não faltam. A mídia corporativa se apressou a ressaltar que, embora tenha recusado ser vice na chapa do tucano, o filho de José Alencar teria garantido seu apoio ao ex-governador paulista. O empresário estaria sofrendo pressões da família para não concorrer a cargos políticos.

Na tarde de hoje, por sua vez, o PR negou que Josué tenha descartado a composição com Alckmin e o Centrão. Segundo o partido, “ainda não há registro de qualquer decisão do republicano Josué Gomes”.

Ciro Gomes, pelo PDT, passou a ser outra incógnita, após ter cortejado e perdido o apoio do Centrão – DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade. Depois disso, Ciro fez discursos mais à esquerda

“Não sei o quanto a posição de Ciro de aproximação com o DEM e o Centrão, muito à direita, vai afetar os apoios que poderia ter à esquerda. Sem o Lula, ele seria o candidato de centro-esquerda com mais chance”, diz Maria do Socorro.“Talvez ele consiga agregar os setores de centro e à esquerda, sem o (Guilherme) Boulos, bem mais à esquerda. Me parece que até o PCdoB apoiaria o Ciro, a depender da Manuela ser vice dele, ou algo dessa natureza.”

Para a cientista política da UFSCar, a campanha de Alckmin tem cerca de um mês para conseguir demonstrar que vai enfim decolar. “Se com todo os trunfos que conseguiu, com o apoio do Centrão e do mercado, ele não passar dos 10% nos próximos 30 dias, não teria muito o que acrescentar.”

A analista lembra que a opção do Centrão por Alckmin poderia dar ao tucano condições de entrar no jogo, já que esse apoio traz uma rede de deputados, prefeitos e vereadores que poderiam ajudar a alavancar a candidatura tucana nos estados onde Alckmin “não tem força nenhuma”, como no Nordeste, onde Lula é imbatível.

Há duas semanas, o governador Paulo Câmara (PSB) anunciou apoio à pré-candidatura Lula, “por tudo que ele fez por Pernambuco”. Assediado por Ciro Gomes e pelo PT, o PSB deve tomar uma decisão sobre seu caminho na eleição no dia 30. O ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda (PSB) é hoje um alvo de Ciro. O prazo final para o registro das chapas é 15 de agosto.

Já Marina Silva (Rede) parece enfrentar dificuldades cada vez maiores. Depois que Maria Alice Setúbal, a Neca, herdeira do banco Itaú, anunciou seu afastamento da campanha, hoje foi a vez de a mídia informar que a pré-candidata fechou o Instituto Marina Silva, por falta de recursos.