Eleições 2018

Brasil não terá paz enquanto Lula estiver preso, diz Ciro

No dia em que partidos do 'centrão' decidem não apoiar o pré-candidato do PDT, Ciro recebe documentos com propostas das centrais e promete governo para os trabalhadores

CTB
Ciro Gomes

Ciro vinha negociando com o ‘Centrão’, que fechou com Alckmin, e disse que ‘comete erros’ e não é dono da verdade

São Paulo – Ao receber de representantes de centrais sindicais documento com propostas para o próximo período, o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, se pronunciou em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril. “Eu também imagino que o Brasil não será um país em paz enquanto o companheiro Lula não tiver restaurada sua liberdade”, afirmou, durante evento na sede do partido em Brasília, nesta quinta-feira (19).

Com seu nome prestes a ser homologado em convenção partidária, nesta sexta, Ciro é o segundo pré-candidato a receber a chamada “agenda prioritária da classe trabalhadora”, aprovada em junho, com 22 itens destacados pelos sindicalistas para a retomada do desenvolvimento. Durante encontro no Dieese, em São Paulo, dirigentes já haviam entregado o documento à deputada estadual Manuela D´Ávila, do PCdoB.

Segundo Ciro, a agenda das entidades representa uma “contribuição absolutamente grave, importante e central para minha postulação à Presidência do Brasil”. Ele afirmou que o país vive “a maior crise da sua história moderna”, uma crise “de muitas caras”, ainda mais profunda que a recessão de 1929. Uma crise moral, com uma parcela crescente da população está tomando o caminho da “revolta”, e social, acrescentou, citando diversos indicadores. Além de um “caos institucional, procurador fazendo política, juiz fazendo política, invadindo as atribuições uns aos outros dos poderes”.

O pré-candidato reafirmou que, em seu eventual governo, cada reserva de petróleo entregue às multinacionais será retomada, “com as devidas indenizações”, e prometeu que sua gestão “servirá aos mais pobres e aos trabalhadores”. Em eventos anteriores, Ciro chegou a falar em revogação da Lei 13.467, de “reforma” trabalhista, um dos itens da pauta das centrais.

O pedetista vinha sendo sondado para receber apoio do bloco direitista chamado de “centrão” (DEM, PP, SD e PRB), que acabou oferecendo apoio a Geraldo Alckmin (PSDB) e o vice na chapa do tucano, o empresário Josué Gomes, filho do ex-vice de Luiz Inácio Lula da Silva, José Alencar, morto em 2011. Os acenos de Ciro para o mercado vinham incomodando as correntes que o consideram integrante do campo progressista.

Ciro reconheceu que “comete alguns erros”. “Preciso sinalizar a todos os brasileiros de boa-fé que não sou o dono da verdade, eu cometo erros. Não me custa nada reconhecer isso, mas nenhum deles foi por deserção”, disse ele. “Quem quiser, quem puder me ajudar, será muito bem-vindo, mas saibam daquela porta para fora que este governo que eu liderar servirá aos mais pobres e trabalhadores.”