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Pedro Parente é representante dos EUA no Brasil, diz embaixador

Samuel Pinheiro Guimarães diz ainda que Henrique Meirelles é o candidato de Wall Street nas eleições. Para ele, o próximo alvo dos interesses do Estados Unidos, depois de destruir a Petrobras, são os bancos
por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena, do Tutaméia publicado 25/05/2018 19h35, última modificação 01/06/2018 12h14
Samuel Pinheiro Guimarães diz ainda que Henrique Meirelles é o candidato de Wall Street nas eleições. Para ele, o próximo alvo dos interesses do Estados Unidos, depois de destruir a Petrobras, são os bancos
Wilson Dias/ABr
Samuel Pinheiro Guimarães

Samuel Pinheiro: 'Golpe em curso efetuou um ataque às grandes empresas brasileiras e nenhum ataque a empresa estrangeira'

O Brasil é um país ocupado, cujo governo faz tudo que o estrangeiro quer. É um governo estrangeiro no Brasil. O capital externo está forte em todos os setores, exceto no dos bancos. Agora, o último ataque –que já está em curso– é contra os bancos, que são, na maioria, brasileiros. A análise é do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto em entrevista ao Tutaméia.

Na visão dele, Henrique Meirelles é o candidato de Wall Street nas eleições. Já Pedro Parente, presidente da Petrobras, é o representante dos interesses do Estado norte-americano no Brasil –daí seu empenho em destruir a Petrobras.
Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República no governo Lula e Alto-Representante Geral do Mercosul (2011-2012), Pinheiro Guimarães é autor de livros essenciais para a compreensão do Brasil no contexto mundial, como Quinhentos Anos de Periferia (UFRGS/Contraponto, 1999) e Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes (Contraponto, 2006) –com este último, ganhou o Troféu Juca Pato da União Brasileira de Escritores.

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Espionagem e destruição de concorrente

Para o embaixador, o golpe em curso no Brasil efetuou um “ataque às grandes empresas brasileiras e nenhum ataque a empresa estrangeira. Pegaram as grandes construtoras, porque na área industrial é tudo estrangeiro” –com exceção de empresas menores nos setores têxtil, de calçados. Diz Pinheiro Guimarães:

“Pegaram alguns setores que tinham uma certa prevalência de capital nacional, que eram empresas de engenharia. Foram em cima delas. Os processos contra as empresas são todos irregulares, as delações, advogados [de defesa] que não têm acesso, juiz que divulga seletivamente. A delação premiada é uma forma de tortura. Instrumentado de fora, o “lawfare”. Montaram [esse roteiro] não só contra o Brasil. Prenderam o presidente da Samsung na Coreia, na França”.

De acordo com o embaixador, “é uma estratégia americana de luta contra a corrupção dos outros, não a deles” que visa “destruir os concorrentes usando esses acordos de cooperação judiciária”. Assim usam todo o sistema de espionagem. “Espionaram a Petrobras, espionam tudo, inclusive essa gravação agora”. O objetivo é “ a destruição das empresas, dos instrumentos de capitalismo nacional”.

Ele afirma que esse processo de “destruição do que sobrou do capital nacional” atingiu não só as empreiteiras –que estão prejudicadas em uma futura reforma da infraestrutura brasileira, abrindo espaço para as estrangeiras–, mas outros setores. “Esse negócio da JBS é uma parte também disso, destruir a JBS que concorre no mundo”.

Febraban não é Fiesp

As mudanças vão sendo feitas com o discurso de que a empresa privada é capaz de resolver todos os problemas da sociedade e o que atrapalha é o Estado, aponta o embaixador. Por isso, a alardeada necessidade de privatização. Mais do que isso, os defensores dessas ideias acham que “a empresa privada estrangeira é melhor do que a brasileira”.

“Daí a ideia de que se pode permitir o capital estrangeiro na educação, na saúde. Vai entrar no setor de advocacia, onde já entrou disfarçadamente. Entrou em tudo, exceto os bancos. O último ataque é contra os bancos, que são na maioria brasileiros. O ataque já está em curso. Estão dizendo que o problema da economia brasileira são os juros altos. Por quê? Porque não há competição. Como aumenta a competição? Com os bancos estrangeiros, não vai ser com banco brasileiro. Não tem nenhum grupo capaz de criar um banco brasileiro”.

Para o embaixador, “os bancos já perceberam isso. A Febraban já deve ter percebido que agora é com eles. Tem havido artigos frequentes contra os bancos, juros altos, spreads altos. (Dizem): o BC reduz os juros mas os juros não caem para o consumidor porque falta competição. E a competição vai vir de fora, só pode ser. Mas aí terão embate muito difícil. Ali não é a Fiesp; é a Febraban. É o último grande setor que não está (predominantemente em mãos estrangeiras)”.

Forças de ocupação

Pinheiro Guimarães trata do contexto da política mundial que explica o golpe no Brasil. E discorre sobre a destruição promovida pelo governo golpista em vários aspectos –na desorganização no mercado de trabalho, na privatização desenfreada, na redução dos bancos públicos, no enxugamento do Estado. E resume:

“Vamos supor que o Brasil tivesse sido invadido por uma potência estrangeira. O que as forças de ocupação fariam? Iriam reduzir o Estado, destruir as empresas daquele país que está ocupado. Com fizeram na Alemanha, no Japão. Iriam dar todo o favorecimento aos vencedores. É o caso que estamos vivendo. Estamos vivendo um governo estrangeiro no Brasil. O que é um governo estrangeiro no Brasil? É o que favorece o estrangeiro”.

Candidato de Wall Street e representante dos EUA

Pinheiro Guimarães afirma que o governo Temer “é um fracasso extraordinário” e comenta os cenários para a eleição. Defende a candidatura Lula e avalia alguns dos candidatos. Para ele, Wall Street tem candidato: “Chega de intermediários, Meirelles para presidente”. Segundo ele, Henrique Meirelles “representa os interesses do mercado internacional”.

Já o “representante dos interesses do Estado norte-americano é (Pedro) Parente”. E declara; “No Brasil, o que interessa muito aos EUA é destruir a Petrobras. Vai vendendo, parcelando. Para os EUA, é essencial o abastecimento de energia”. Ele lembra que os Estados Unidos se abastecem um pouco na Venezuela e no Oriente Médio, que é uma zona de conflito. Daí a vantagem de se Brasil, que está próximo, não está numa zona de conflito e que está dando todo acesso às companhias estrangeiras”.

Na análise do embaixador, “o que os EUA querem é que o Brasil fique na sua posição de país subdesenvolvido, exportador de produto primário, soja, minérios, nióbio, algum processamento, como suínos e frangos, mas não produto manufaturado”.

Pinheiro Guimarães debate na entrevista democracia, desenvolvimento, justiça social e soberania –pontos essenciais para o país. Para avançar rumo a esses objetivos, o primeiro passo é a luta pela libertação do presidente Lula.

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