TROCA-TROCA

Só seis senadores trocaram de partido com a janela eleitoral, confirma TSE

Mudanças não alteram relações de poder entre as bancadas da Casa. Parlamentares buscaram rearranjos para candidaturas à reeleição ou a outros cargos

Marcos Oliveira/Agência Senado
Fernando Bezerra Coelho

Fernando Bezerra Coelho, ex-ministro de Dilma, era do PSB e está no MDB

Brasília – O tamanho das bancadas partidárias do Senado continua o mesmo, mas a janela aberta no início do mês para permitir a troca de legendas pelos parlamentares sem punições legais, antes das eleições, levaram seis senadores a trocar de sigla. São eles Fernando Bezerra Coelho (PE), Raimundo Lira (PB), Kátia Abreu (TO), Eumano Ferrer (PI), Pedro Chaves (MS) e Wilder Moraes (GO). O único senador que não fez qualquer filiação e continua sem partido é José Antonio Reguffe (DF).

Ao contrário da Câmara, Casa em que cerca de 40% dos deputados trocaram de siglas, modificando o tamanho das bancadas e dos blocos partidários, o pequeno número observado no Senado em nada interferiu nos trabalhos legislativos nem nas composições das comissões técnicas.

As alterações partidárias, a exemplo das que foram feitas na Câmara, tiveram relação com a conjuntura política dos estados de cada senador e os cargos para os quais eles querem se candidatar neste ano, inclusive os rearranjos para candidaturas ao governo estaduais ou à reeleição ao cargo que ocupam.

Nos casos de Fernando Bezerra Coelho e Wilder Morais, as mudanças foram tumultuadas. Em relação ao primeiro, o senador – ex-ministro da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff e pai do deputado Bezerra Filho (DEM-PE), que deixou no início do mês o cargo de ministro de Minas e Energia – tinha negociado sua ida para o MDB desde o ano passado. Mas enfrentou sérios obstáculos ao longo do percurso. Primeiro, com integrantes do PSB, com quem rompeu ao sair, e depois com o diretório regional do MDB em Pernambuco.

Ele chegou a ser escolhido presidente do diretório e depois retirado por conta de uma ação apresentada à Justiça Eleitoral pelo então presidente estadual da legenda, o deputado federal e vice-governador Raul Henry, que é ligado ao grupo do deputado emedebista Jarbas Vasconcelos. O caso ainda não foi totalmente resolvido na esfera judicial.

Vasconcelos, apesar de ser nome histórico na sigla, faz oposição ao governo Temer e não gostou de ver o espaço que tinha no diretório ser dividido por outra corrente, levada por Bezerra Coelho.

Por outro lado, desde maio do ano passado o senador que migrou para o MDB vinha tendo problemas com os caciques do PSB. Ele foi um dos poucos que decidiu pelo apoio a Michel Temer depois das denúncias contra o presidente, com a divulgação da gravação de uma conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista no Palácio do Jaburu.

Mesmo depois que o PSB optou pela saída do governo, Bezerra Coelho manteve a posição do seu filho no ministério com o argumento de que a vaga não consistia numa cota da legenda, mas dele próprio, dando como certa sua separação dos socialistas. Ao fim, ele ficou no MDB e o seu filho desembarcou no DEM.

Já o senador Wilder Morais, que deixou o PP para também integrar a bancada do DEM, saiu atirando nos antigos colegas de partido. Ao trocar de sigla, ele declarou: “não estou deixando o PP, fui deixado pelo PP”, ao reclamar de falta de apoio por parte de caciques da legenda aos seus pleitos.

A senadora Kátia Abreu, ex-ministra da Agricultura de Dilma Rousseff, com quem passou a ter uma relação de amizade, se posicionou contrária ao impeachment de Dilma e fez parte do grupo de oposição ao governo Temer. Ela foi expulsa do antigo PMDB em novembro passado, após ter feito críticas em plenário a integrantes do atual Executivo.

Desde então, Kátia estava sem partido e já tinha sido cortejada por outras siglas, como PSD e PTB. Terminou se filiando ao PDT. A senadora confirmou recentemente sua pré-candidatura ao governo do Tocantins.

Rearranjos estaduais

Raimundo Lira, que ocupava a liderança do MDB, em substituição a Renan Calheiros, agora é do PSD. O parlamentar justificou a mudança com base na agenda eleitoral do seu estado e às articulações para a montagem da chapa do seu grupo com vistas ao governo.

Ele chegou a ir ao Palácio do Planalto para conversar pessoalmente com o presidente e a equipe política do governo, que tentou demovê-lo da troca, mas não recuou.

Elmano Férrer, do MDB, evitou fazer maiores comentários sobre a mudança de sigla. Apenas comunicou por meio de nota que estava se filiando ao Podemos. Nos bastidores, o que se comenta é que, após ouvir insinuações no cafezinho do Senado sobre os parlamentares que trocaram de partidos, ele teria ironizado que “até os casamentos não duram mais a vida inteira, o que dirá a filiação partidária dos políticos”.

“Ele tocou sua saída e filiação de forma reservada, mas deu a entender com essa alfinetada que não é o fato de estar atrelado a uma legenda que dá credibilidade ou garante a seriedade do parlamentar”, contou um assessor.

De todos os senadores que este ano resolveram mudar, Pedro Chaves foi um dos mais celebrados ao trocar de partido. Ele saiu do PDT para o PRB e sua filiação foi realizada numa solenidade que contou com a presença de aproximadamente mil pessoas em Campo Grande, incluindo dois pré-candidatos ao governo do Mato Grosso do Sul, num clima de festa.

No caso de Chaves, a entrada no PRB amplia as possibilidades dele ser reeleito, uma vez que está completando oito anos como senador. Sua reeleição está sendo vista como prioridade nacional da legenda, que quer aproveitar seu nome para ampliar a base eleitoral no Mato Grosso do Sul.

Inicialmente, os planos do diretório do PRB são de conseguir, com esse novo arranjo no estado, eleger ao menos um deputado federal e três deputados estaduais, além de Chaves para o Senado, pela legenda.

Também causou surpresa o fato do senador Reguffe, do Distrito Federal, continuar sem partido desde que deixou o PDT. Ele fez a opção de não se filiar a sigla alguma neste período e não quis dar entrevista sobre o assunto. “No dia e que eu definir para onde vou, todos irão saber, assim como os motivos pelos quais escolherei esta sigla”, afirmou.

Reguffe integrava o PDT, que também abrigava no Distrito Federal o grupo político do senador Cristovam Buarque, mas preferiu não acompanhar o senador, quando este saiu do partido para integrar a bancada do PPS, em 2016.

A troca de legendas destes seis senadores manteve o MDB como a sigla com maior bancada do Senado. Continua em segundo lugar no Senado o número de parlamentares do PSDB e, logo em seguida, do PT – estas duas últimas legendas não tiveram alterações nos seus integrantes na Casa. 

Segundo os dados mais recentes da Justiça eleitoral, existem no Brasil, hoje, 15.842.525 filiados a partidos políticos. O partido que conta com o maior número de filiados é o MDB, com 2.376.463 integrantes. Em seguida, vem o PT, com 1.590.104. O terceiro lugar nessa lista fica com o PP, que tem 1.419.386 filiados.