Lula livre

‘Lula não pode estar condenado à solitária’, diz Dilma. PF pede transferência

Após ser impedida de visitar ex-presidente na prisão, Dilma lembrou que até na ditadura, quando esteve presa por três anos, era permitido receber visitas de amigos. Remoção de Lula já estaria autorizada

Joka Madruga/Agência PT
Dilma Rousseff

Para Dilma Rousseff, a prisão do ex-presidente Lula é a tentativa de manter o golpe vivo, que iniciou com seu impeachment

São Paulo – Assim como tem acontecido nas últimas duas semanas, nesta segunda-feira (23) foi a vez de a ex-presidenta Dilma Rousseff ser proibida de visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão, na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba. A visita foi negada pela juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal da capital paranaense, a mesma que semana passada negou a visita do prêmio Nobel da Paz, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, e do frei Leonardo Boff, entre outros amigos de Lula que tentam em vão conversar com ele na prisão.

Além da presença persistente da vigília Lula Livre, a movimentação de autoridades e personalidades com direito legítimo de acesso a visitas ao ex-presidente – sistematicamente negado por Carolina Lebbos, em desacordo com a legislação brasileira e com tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário – tem causado incômodo à PF, que já teria, inclusive, solicitado a transferência de Lula. A mudança já estaria decidida, faltando definir para onde e se encaminharem questões legais, como ouvir a defesa do ex-presidente.

“Lula não está num regime de isolamento. Então, o que explica que não possamos visitá-lo?”, questionou Dilma, visivelmente contrariada, após sair do prédio da PF. A ex-presidenta disse que a democracia no Brasil passa por um momento difícil, e lembrou que ela mesma, que ficou três anos presa durante a ditadura civil-militar (1964-1985), podia receber a visita de amigos, além de parentes e advogados. “Lula não pode estar condenado à solitária. Como pode ele ser impedido de conversar com seus amigos? Acredito que é uma situação estranha. Lula não tem justificativa para estar isolado”, afirmou.

A ex-presidenta reafirmou que a prisão de Lula faz parte do golpe que se iniciou em abril de 2016, com seu próprio impeachment. “Se instalou uma camarilha no poder. E é estranho que essa camarilha esteja solta, enquanto Lula, inocente, está preso.” Para ela, enquanto a ditadura corta a “árvore da democracia” pela raiz, ocorre agora outro tipo de golpe, em que a “árvore da democracia é comida por fungos que afetam até as raízes”.

“A etapa do golpe agora é essa, prender Lula para ele não concorrer nas eleições. É a tentativa de manter o golpe vivo, prendendo a pessoa que pode acabar com o golpe”, definiu. A ex-presidenta disse que em suas viagens a outros países, a prisão de Lula está sendo vista com estarrecimento. “Esse processo no exterior é visto como eivado de problemas. Quando você diz que o juiz que julga é o mesmo que faz a instrução do processo, há um estarrecimento”, afirmou.

Dilma reforçou a importância do artigo 5º da Constituição Federal, que em um dos seus incisos determina que nenhuma pessoa pode ser considerada culpada antes do trânsito em julgado do seu processo. “Foi para isso que nós lutamos e muitos morreram, para que nunca mais um inocente fosse preso e, infelizmente, o Lula, inocente, está preso.”