Violência

Gleisi: candidatura Lula não pertence mais ao PT, é da população

Para presidenta do partido, possível prisão do ex-presidente tornará o Brasil 'uma republiqueta de bananas'. Defesa diz que tomará 'todas as medidas legalmente previstas'

Ricardo Stuckert
lula

Senadora e presidenta do partido avalia que uma parcela do STF abriu mão de ser guardião da Constituição

São Paulo – A presidenta nacional do partido, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está mantida. “Primeiro, porque é inocente. Segundo, será candidato porque a candidatura não pertence mais ao Partido dos Trabalhadores, mas a parcela expressiva do povo brasileiro”, afirmou. A senadora ser reuniu com Lula na manhã desta quinta-feira (5), em São Paulo.

Segundo a parlamentar, caso se efetive a prisão do ex-presidente, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de negar um habeas corpus, o país se tornará “uma republiqueta de bananas”. Ela afirmou que a repercussão internacional é negativa. “As pessoas estão questionando a que ponto chegou o Brasil. Eu não tenho dúvida nenhuma: (a prisão, se efetivada) marcará negativamente a imagem do Brasil no exterior”, avaliou. “É uma violência completa.”

Para ela, parte do STF abriu mão do papel de guardião da Constituição. A presidenta do PT não adiantou quais podem ser os próximos passos da defesa de Lula. “A estratégia jurídica está sendo discutida com seus advogados” – a defesa informou que tomará “todas as medidas legalmente previstas” para evitar a antecipação da pena. Segundo a senadora, o ex-presidente “está bem, está sereno, tem a consciência tranquila”.

“A defesa irá tomar todas as medidas legalmente previstas para evitar que a antecipação da pena imposta automaticamente pelo TRF4 seja executada, porque é incompatível com a Constituição Federal e com o caráter ilegal da decisão que condenou Lula por crime de corrupção baseado em ‘atos indeterminados’ e sem a comprovação de qualquer solicitação ou recebimento de vantagem indevida”, afirmaram os advogados em nota. Para eles, “a condenação imposta a Lula desafia a jurisprudência dos Tribunais Superiores e também os precedentes das Cortes Internacionais de Direitos Humanos”.

Lula se reúne hoje com aliados no instituto que leva o seu nome, como a ex-presidenta Dilma Rousseff e o ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad. Eles também estiveram ontem (4) durante todo o dia ao lado do ex-presidente, durante vigília no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo.