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Nos Estados Unidos

Dilma: abrir mão da candidatura Lula resolve problema da direita, não do Brasil

Presidenta segue jornada internacional de denúncias contra prisão política de Lula. "Não podemos admitir a judicialização da política e nem a politização do Judiciário"
por Redação RBA publicado 18/04/2018 09h54, última modificação 18/04/2018 12h36
Presidenta segue jornada internacional de denúncias contra prisão política de Lula. "Não podemos admitir a judicialização da política e nem a politização do Judiciário"
Reprodução
Dilma nos EUA

Dilma em Bekerley e com Angela Davis, em Stanford: a financeirização da economias está levando à mitigação da democracia, no Brasil e nos demais países do mundo

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (17), durante palestras em universidades dos Estados Unidos, que sem Lula o Brasil não se reencontrará com a democracia. Dilma reiterou a decisão do partido e da frente de movimentos que apoiam o petista de manter a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e priorizar a luta pela sua liberdade.

Segunda ela, a prisão política de Lula tem justamente a finalidade de retirá-lo da disputa e dar continuidade à imposição de uma agenda econômica incapaz de ser aceita em eleições limpas. "Por que abrir mão da candidatura de Lula? Para resolver o problema deles? Só a candidatura de Lula pode viabilizar a restauração democrática", afirmou.

A petista lembrou que as políticas de inclusão social proporcionaram ao Brasil subir alguns degraus importantes no combate às desigualdades. "A exclusão no Brasil se combina com os privilégios de uma minoria. Avançarmos esses degrau foi algo intolerável para a elite", disse Dilma, recebendo aplausos ao lembrar que 35% dos formados em universidades durante seu governo eram alunos que foram os primeiros de suas famílias a concluir o ensino superior.

Dilma enfatizou que a candidatura Lula não se restringe a uma meta meramente partidária, mas a um projeto de país que passa pelo restabelecimento de um novo aparato social, uma nova economia e pela soberania. "Tudo isso passa, antes, pela restauração democrática. É preciso restaurar o pacto democrático, em que se respeitem o voto popular e as regras do jogo", alertou, referindo-se à necessidade de reversão do golpe e de recuperação do papel das instituições. "Não podemos admitir nem a judicialização da política, nem a politização do Judiciário", ressaltou.

"Lula é condenado porque acreditam que ele vai sumir das pesquisas de intenção de voto. Pois neste fim de semana, depois de estar preso há alguns dias, fizeram uma pesquisa que mantém Lula com mais do que o dobro dos votos do segundo colocado, o senhor Bolsonaro. Vejam vocês que complicação política quando num país democrático o centro some, explode, é destruído. A inconsequência da política golpista leva ao surgimento da extrema-direita", observou.

O combate à concentração dos meios de comunicação em poder de poucos grupos econômicos, reforma política e reforma tributária foram temas listados como prioritários para uma retomada de um governo progressista. "O Brasil e a Estônia são os únicos países onde não se tributa dividendos", disse.

Dilma palestrou na Universidade de Berkeley e em seguida visitou a Universidade de Stanford, ambas no estado norte-americano da Califórnia. No Centro de Estudos da América Latina, foi recebida pela professora Angela Davis, filósofa e ativista feminista e dos direitos civis. Angela ressaltou o caráter misógino do golpe de 2016 e observou que ele reacendeu também a forte luta das mulheres brasileiras. "Nós estamos com vocês, pela democracia e pelo futuro do Brasil", disse.

Íntegra da fala de Dilma em Bekerley: