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Psol entra com ação no CNJ contra desembargadora que acusou Marielle

O partido entrará com representação no CNJ contra Marilia Castro Neves, que afirmou que a vereadora teria sido assassinada por que era 'engajada com bandidos'
Publicado por Redação RBA
15:05
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CMRJ (detalhe) e Yuri Salvador / UNE / Fotos Públicas
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Desembargadora representa setor do Judiciário contaminado pelo ódio de classe, enquanto manifestações pela morte de Marielle se espalham pelo país

São Paulo – O presidente nacional do Psol, Juliano Medeiros, informou que o partido vai ingressar com uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que o órgão tome providências contra a desembargadora Marília Castro Neves, que em sua página da rede social Facebook acusou a vereadora Marielle Franco, assassinada na noite de quarta-feira (14), de envolvimento com o crime organizado.

“As declarações da desembargadora são inaceitáveis. Elas são parte da onda de boatos mentirosos que grupos de extrema-direita passaram a disseminar nas redes sociais. Trata-se de uma representante do Poder Judiciário e isso não pode ficar sem punição. É uma afronta à luta da Marielle e de todos os defensores dos direitos humanos”, afirmou Juliano.

Ao comentar postagem de um advogado no Facebook, Marilia Castro Neves, do TJ do Rio de Janeiro, afirmou que Marielle Franco teria sido morta por conta de um acerto de contas com a facção criminosa Comando Vermelho. “A questão é que a tal Marielle não era apenas uma ‘lutadora’, ela estava engajada com bandidos! Foi eleita pelo Comando Vermelho e descumpriu ‘compromissos’ assumidos com seus apoiadores. Ela, mais do que qualquer outra pessoa ‘longe da favela’ sabe como são cobradas as dívidas pelos grupos entre os quais ela transacionava”, escreveu.

Após perceber a grande quantidade de críticas que recebeu, a desembargadora apagou o material.

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O post da desembargadora que será alvo de ação no CNJ pelo Psol

Além do presidente do Psol, outras lideranças se manifestaram contra a Marilia. “Denunciar a desembargadora ao CNJ deve ser feito. Mas é pouco. Não é opinião de cidadã, é calúnia, é prática fascista digna de execração pública”, protestou, pelo Twitter, o deputado federal do partido, Ivan Valente. Antes, na mesma rede social, eleescreveu: “A desembargadora Marília Castro Neves acaba de declarar que Marielle foi assassinada por dívidas com o Comando Vermelho e que seu “cadáver comum” está sendo valorizado pela esquerda. Deve ser processada por calúnia e condenada por estupidez humana”.

Também via Twitter, Guilherme Boulos, pré-candidato a presidente pelo PSOL, pediu punição para Marilia: “Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro acusa Marielle de fazer parte de organização criminosa. Essa senhora precisa ser denunciada e punida pelo Conselho Nacional de Justiça”.

Histórico

O jornalista Kiko Nogueira, no DCM, relata que logo após o post de Marília, o deputado Alberto Fraga, presidente do DEM no Distrito Federal e presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública, escreveu no Twitter: “Conheçam o novo mito da esquerda, Marielle Franco. Engravidou aos 16 anos, ex-exposa do Marcinho VP, usuária de maconha, defensora de facção rival e eleita pelo Comando Vermelho, exonerou recentemente 6 funcionários, mas quem a matou foi a PM”.

A fonte das acusações, que se espalharam e foram ampliadas pelas redes sociais é um áudio de WhatsApp, transferido depois para o YouTube e outras plataformas, de uma suposta “conversa vazada” entre traficantes do CV. “Sujeito não precisa ser muito inteligente para perceber que é mais falso que o umbigo de Adão”, diz o jornalista, que completa: “O problema, no caso dessa turma, é o casamento da burrice com a má fé.”

Segundo o portal DCM, Marília Castro Neves é atuante nas redes sociais, declara-se “antipetista convicta” e admiradora do juiz federal de Primeira Instância Sergio Moro, a quem classifica como “juiz templário”. Ela se queixa da polêmica em torno do auxílio moradia para juízes, apesar de, segundo levantamento do DCM, seu salário bruto, em novembro passado, ter sido de R$ 74.790 reais. 

Marília ficou “famosa” em 2014, ano da Copa do Mundo de Futebol, por ter mandado soltar o chefão da chamada “máfia dos ingressos”, Raymond Whelan.