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Eleições 2018

Lula vence em todos os cenários e tem potencial de transferir 42% de seus votos

Pesquisa CNT/MDA divulgada mostra que ex-presidente tem menor taxa de rejeição entre os principais concorrentes. Sem ele no segundo turno, brancos/nulos e indecisos chegam a 60%
por Redação RBA publicado 06/03/2018 15h04, última modificação 06/03/2018 15h22
Pesquisa CNT/MDA divulgada mostra que ex-presidente tem menor taxa de rejeição entre os principais concorrentes. Sem ele no segundo turno, brancos/nulos e indecisos chegam a 60%
Ricardo Stuckert
Lula

Lula lidera em todas as pesquisas, mas tem como piores adversários parcela do Judiciário e da mídia

São Paulo – Pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República divulgada nesta terça-feira (6) pela agência MDA, por encomenda da Confederação Nacional do Transporte, traz na liderança o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, com 33,4%.

Lula tem um pouco mais que o dobro das intenções de Jair Bolsonaro (PSC), segundo colocado com 16,8%, que por sua vez tem mais que o dobro do terceiro nome, Marina Silva (Rede), 7,8%. Geraldo Alckmin (PSDB) aparece em seguida com 6,4%, à frente de Ciro Gomes (PDT), com 4,3%.

A sondagem CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas em 137 municípios de 25 estados, entre 28 de fevereiro e 3 de março. Traz algumas curiosidades, e não só sobre os pesquisados. O pesquisador, por exemplo, não mostra nenhum cenário de segundo turno com nomes que o petista possa vir a apoiar.

A pesquisa traz 14 cenários de segundo turno. Cinco deles com Lula, que venceria Bolsonaro, Marina, Alckmin, Temer ou Rodrigo Maia – alcançando de 43,8% a 47,5% conforme o adversário, que varia de 6,8% (Temer) a 25,8% (Bolsonaro).

Nos outros noves cenários sem Lula, a CNT/MDA não testa nenhum candidato potencialmente apoiado por ele, de partidos à esquerda, apesar de a pesquisa constatar que 16,4% votariam em qualquer pessoa que ele indicar e que 26,4% tendem a fazê-lo. Ou seja, despreza um potencial de mais de 42% de transferência de votos.

É de estranhar a pesquisa excluir cenários com Ciro, Fernando Haddad (PT) ou Manuela d’Ávila (PCdoB). Mas incluir hipóteses com Michel Temer (MDB) e Rodrigo Maia (DEM), que em todas as simulações de primeiro turno perdem para os três. Dá a entender que, sem Lula, só existiriam possibilidades à direita.

As entrevistas mostram que o poder da imprensa corporativa pode muito, mas não pode tudo. Lula, que sofre intenso bombardeio há uma década, com especial atenção desde 2014, tem sua taxa de rejeição em queda. Já esteve em 52% há seis meses, na última sondagem, e está em 46,7%.

Temer, por sua vez, que tem seu governo apoiado por toda a imprensa comercial – em plena campanha noticiosa para convencer a população que o Brasil já começou a melhorar – tem rejeição de 88%. E apenas 4,3% aprovam seu governo.

Os demais concorrentes citados também têm taxa de rejeição superior à de Lula, apesar de serem poupados do noticiário negativo. Não votariam em Rodrigo Maia de jeito nenhum 55,8%, em Marina Silva 53,9%, em Alckmin 50,7% e em Bolsonaro 50,4%. A rejeição a Ciro (47,8%) é, aliás, menor que a de todos esses.

Os cenários de segundo turno sem Lula deixam o eleitorado mais desinteressado nas eleições. Os percentuais de indecisos somados aos branco e nulos vão de 49% (com Bolsonaro e Alckmin) a espantosos 59,6% (com Alckmin e Temer).

Com Lula no segundo turno, o índice de desalento é menor. Os brancos, nulos e indecisos vão de 30,1% (contra Bolsonaro) a 45,7% (contra Temer)

Mais de 57% dos entrevistados, ao serem questionados se eles próprios, alguém de suas famílias ou algum amigo que estava desempregado conseguiu emprego nos últimos seis meses, responderam que não.

Quase 80% das pessoas dizem acompanhar a intervenção federal no Rio de Janeiro e 69% são favoráveis à ação. Porém, 30% acham que a situação de violência vai ficar na mesma ou piorar. Outros 49% acreditam em melhora apenas parcial.

Confira relatório da pesquisa: