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Na esteira do golpe

'FBI e CIA vêm aqui dar curso e dizer como tem que ser', diz Gleisi Hoffmann

Em fórum da plataforma Brasil que o Povo Quer, senadora e presidenta do PT diz que elite que persegue Lula é "calhorda e hipócrita". Aguardado, ex-presidente não compareceu
por Redação RBA publicado 10/03/2018 09h55
Em fórum da plataforma Brasil que o Povo Quer, senadora e presidenta do PT diz que elite que persegue Lula é "calhorda e hipócrita". Aguardado, ex-presidente não compareceu
Paulo Lopes/Futura Press/Folhapress
Gleisi e Celso AMorim

Gleisi Hoffmann e Celso Amorim falaram dos interesses por trás da entrega das riquezas do país e perda da soberania nacional

São Paulo – O PT e a Fundação Perseu Abramo abriram na noite de ontem (9) o Fórum Nacional Brasil que o Povo Quer, em São Paulo. Esperado pela militância do partido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu. “Um imprevisto o impediu de estar aqui”, explicou o economista Marcio Pochmann, que abriu o encontro.

A presidenta nacional do PT e senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) fez um discurso contundente em defesa do ex-presidente, da democracia e da soberania nacional, e foi acompanhada pelo ex-chanceler Celso Amorim. Apesar da importância da construção de um programa de governo, a “luta pelo direito de Lula ser candidato pela democracia antecede tudo isso”, disse Gleisi. “O que estão fazendo com Lula é uma coisa abjeta. É falado no mundo todo.”

“Nossa elite é calhorda e hipócrita. A elite não suporta que o pobre ganhe. Ele tem que ser pobre, paupérrimo. O direito causa desconforto à classe média e alta brasileira. É uma cabeça retrógrada”, afirmou. “Por isso este país foi o último a sair da escravidão. É uma visão escravocrata, de humilhação, e faz parte dessa visão querer prender o (ex) presidente.”

A senadora disse que interesses norte-americanos estão por trás do golpe parlamentar, midiático, com apoio do Judiciário, que derrubou Dilma Rousseff em 2016 e entregou o governo do país a Michel Temer. Entre esses interesses, está a entrega das riquezas nacionais, como a Petrobras, para colocar o país “num contexto internacional de submissão”.

Ela enfatizou os interesses dos Estados Unidos: “Há toda a cooptação do sistema judicial e de polícia do Brasil pelo sistema norte-americano. Na nossa cara. FBI, CIA, eles vêm aqui dar curso e dizer como é que tem que ser. (Sérgio) Moro foi agora para os Estados Unidos, ficou 15 dias lá, falando com empresário, recebendo prêmio. Isso tudo está interligado.”

Chamado a fazer sua “intervenção”, o ex-chanceler Celso Amorim ironizou: “Não vamos usar a palavra intervenção, porque ela não é boa. É uma palavra impositiva. Vamos substituir intervenção militar por programas sociais, que ajudarão na própria questão da segurança”.

O diplomata disse que o preço do gás se relaciona com interesses do "imperialismo”. “Quando você entrega os recursos às multinacionais, você não vai poder discutir. Eles vão impor o que bem quiserem”, afirmou.

“Isso se reflete na nossa vida diária, e na vida diária das pessoas mais pobres. O preço do gás e o imperialismo têm relação, porque quando se entregam os recursos do país, isso se reflete na vida das pessoas, sobretudo as mais pobres Falar de soberania não é falar de coisa abstrata, mas de coisas muito concretas”, disse.

STF

Gleisi afirmou que “a única esperança” de que o país retome um caminho de normalidade (após o julgamento do STJ que negou habeas corpus a Lula) “está nas mãos do Supremo”, em alusão ao julgamento pendente, no Supremo Tribunal Federal (STF), das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44, relatadas pelo ministro Marco Aurélio Mello, que versam sobre a prisão após julgamento na segunda instância.

Além das duas ADCs – liberadas por Marco Aurélio no início de dezembro de 2017 –, aguarda julgamento do plenário um pedido de habeas corpus da defesa de Lula e encaminhado pelo ministro Edson Fachin ao Pleno do Tribunal. A presidenta da corte, Cármen Lúcia, tem a competência de pautar os julgamentos, mas tem se esquivado de fazê-lo. Os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio já defenderam publicamente a necessidade de colocar o tema em julgamento.

“O STF tem grande responsabilidade. Tem as duas ações que têm que ser julgadas. Não é só uma questão do Lula, mas da estabilidade do país”, disse a senadora. “Nós vamos às ultimas consequências defendendo a candidatura do Lula.”

Participaram ainda da abertura do fórum, entre outros, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), coordenador do programa de governo, Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, ex-secretário-geral da Presidência no governo Dilma Rousseff e ex-chefe de gabinete de Lula.